Sagradas Escrituras

Cristo disse:

Sagradas Escrituras

Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. (João 5:39).
Quando Cristo assim proferiu, o Livro-Sagrado (Cânom, “Bíblico”) de Israel era o Torah, e todos os demais Livros-Sagrados eram Não-Canônicos (não-bíblicos) mas, nem por isso os demais livros deixaram de ser Escrituras-Sagradas pois, do contrário, Cristo não teria citado-os como fez quando se referiu ao Livro de Jonas, Salmos, Daniel, e muitos outros. A Palavra de Deus teve início com Adão no Édem, e não somente com Moisés no Monte Horebe, no Sinai, por ocasião do êxodo do Egito. Em Gênesis, Moisés resumiu os Livros dos profetas da antiguidade, tais como: Adão, Enoque, Melquisedeque, entre outros.
Os Livros do Torah são cinco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.
Os Livros da Bíblia são: Antigo Testamento & Novo Testamento.

Novo Testamento
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Antigo Testamento
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Mais Escrituras Sagradas
Estes Livros-Sagrados não fazem parte do Cânon-Bíblico e seus conteúdos, em parte, ao longo da história, podem ter sido alterados ou gerados fantasiosamente. O propósito aqui é fornecer conhecimento sobre a origem das Heresias absorvidas pelas diversas Linhas-Religiosas, assim como também encorpar Verdades que o Cânon-Bíblico deixou a desejar.
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A História das Escrituras
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Mártires Cristãos

A História da Bíblia

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Webcam (on-line) Israel – Muro das Lamentações



Acontecimentos Proféticos

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A Bíblia
Bíblia
A palavra “Bíblia” vem do latim e grego e significa “livro”, um nome apropriado, já que a Bíblia é o Livro para todas as pessoas, de todos os tempos.
Sessenta e seis livros fazem parte da Bíblia. Eles incluem livros da lei, tais como Levítico e Deuteronômio; livros históricos, tais como Esdras e Atos; livros de poesia, tais como Salmos e Eclesiastes; livros de profecia, tais como Isaías e Apocalipse; biografias, tais como Mateus e João; e epístolas (cartas formais), tais como Tito e Hebreus.

Os Autores
Cerca de 40 autores humanos diferentes escreveram a Bíblia. Ela foi escrita durante um período de 1500 anos. Os autores foram reis, pescadores, sacerdotes, oficiais do governo, fazendeiros, pastores e médicos. De toda essa diversidade surge uma unidade incrível, com temas em comum por todo o seu percurso.A unidade da Bíblia deve-se ao fato de que, essencialmente, ela tem um Autor: Deus. A Bíblia é “Inspirada por Deus” (2 Timóteo 3:16). Os autores humanos escreveram exatamente o que Deus queria que escrevessem, e o resultado foi a perfeita e santa Palavra de Deus (Salmos 12:6; 2 Pedro 1:21).

As Divisões da Bíblia
É dividida em duas partes principais: O Velho Testamento e o Novo Testamento. Em resumo, o Velho Testamento é a história de uma nação, e o Novo Testamento é a história de um Homem. A nação foi usada por Deus para trazer o Homem ao mundo. O Velho Testamento descreve a fundação e preservação da nação de Israel. Deus prometeu usar Israel para abençoar o mundo inteiro (Gênesis 12:2-3). Uma vez que Israel tinha sido estabelecida como nação, Deus fez surgir uma família daquela nação através da qual a benção iria vir: a família de Davi (Salmos 89:3-4). Então, da família de Davi foi prometido um Homem que traria a benção prometida (Isaías 11:1-10). O Novo Testamento detalha a vinda desse Homem prometido. Seu nome era Jesus, e Ele cumpriu as promessas do Velho Testamento por viver uma vida perfeita, morrer para tornar-se o Salvador e ressuscitar dos mortos.

O Personagem Principal
Jesus é o personagem principal da Bíblia – o livro inteiro é sobre Ele. O Velho Testamento prediz Sua vinda e prepara o palco para Sua chegada ao mundo. O Novo Testamento descreve Sua vinda e Seu trabalho para trazer salvação a nosso mundo pecaminoso. Jesus é mais do que uma figura histórica; na verdade, Ele é mais do que um homem. Ele é Deus em carne, e Sua vinda foi o evento mais importante da história do mundo. Deus Se tornou homem para nos dar um retrato claro e compreensível de quem Ele é. Como é Deus? Ele é como Jesus; Jesus é Deus na forma humana (João 1:14; 14:9).
Texto retirado do site: www.neuzabaldini.com.

Conhecendo os Salmos
Os Autores dos Salmos
O livro de Salmos é, provavelmente, o mais visto de todos os livros bíblicos. Em muitas casas, uma Bíblia bonita ocupa um lugar de honra e permanece aberta, frequentemente mostrando o Salmo 90 em páginas amareladas.
É triste observar que muitas pessoas não têm lido esse livro, ou não o têm estudado para apreciar suas profundas mensagens espirituais. Para incentivar a leitura dos Salmos, pretendo dedicar alguns artigos nas próximas semanas ao seu conteúdo. Comecemos com algumas informações sobre os autores dos principais hinos de Israel.
Davi, o segundo rei de Israel, escreveu grande parte dos Salmos. A maioria das Bíblias preserva na sua impressão os títulos que identificam os autores de muitos desses hinos, e assim identificamos Davi facilmente como autor de 73 deles. Referências em outros livros da Bíblia atribuem mais meia-dúzia dos Salmos a Davi. Como alguns permanecem anônimos, é provável que ele tenha escrito ainda outros.
A atitude de Davi marcou um contraste nítido em comparação com o procedimento do seu predecessor, Saul. Saul foi escolhido para satisfazer a expectativa do povo, mas se mostrou mais interessado em alcançar suas próprias ambições. Davi, designado por Deus quando ainda jovem nada impressionante para os outros, foi um homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22). Davi, como todos os outros homens, cometeu erros e mostrou suas fraquezas, mas sempre demonstrou seu arrependimento e o desejo sincero de estar perto do Senhor.
Seus hinos refletem esse anseio. Ele escreveu: “Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio. Digo ao SENHOR: Tu és o meu Senhor. Outro bem não possuo, senão a ti somente” (Salmo 16:1-2). Quando passou por longas noites de sofrimento e perseguição, Davi esperava o dia amanhecer: “Eu, porém, na justiça contemplarei a tua face; quando acordar, eu me satisfarei com a tua semelhança” (Salmo 17:15). Depois de cometer graves pecados, esse rei de Israel implorou ao Senhor, desejando voltar ao seu favor: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado” (Salmo 51:1-2).
O que dominou o pensamento de Davi, independente das suas circunstâncias, foi o desejo de manter a comunhão com Deus. Foi essa atitude que ele procurou ensinar para o povo por meio dos seus hinos.
Moisés escreveu o famoso Salmo 90, que começa com estas palavras: “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus”. Salomão, o filho de Davi, é identificado como autor de dois dos Salmos. Esse terceiro rei de Israel é o autor das palavras simples mas profundas que nos lembram da importância de confiar em Deus em todos os nossos planos: “Se o SENHOR não edifica a casa, em vão trabalham os que a edificam” (Salmo 127:1).
Quase todos os outros Salmos foram escritos por homens que dirigiam os louvores em Israel. Asafe e os descendentes de Corá contribuíram com diversos hinos. Um dos Salmos de Asafe, por exemplo, trata da dificuldade comum de compreender a justiça de Deus diante das injustiças que observamos nesse mundo (Salmo 73). Ele explica sua crise de fé, dizendo que quase perdeu a confiança no Senhor por causa dessas injustiças. Continuando a mensagem, Asafe mostra a importância de buscar e aceitar as respostas que vêm de Deus, evitando o perigo de cair por causa dos pensamentos limitados e até errados de homens. Outro hino escrito por Asafe (Salmo 78) traça a história do povo de Israel, do Egito até o período do reinado de Davi, mostrando como Deus sempre foi fiel, apesar das muitas falhas do seu povo.
Os autores dos Salmos, guiados pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:20-21), prepararam alguns dos mais belos hinos já escritos. O estudo deles fortalece nosso apreço da grandeza de Deus.

Como Ler os Salmos
O livro de Salmos ocupa um lugar especial na literatura bíblica. É uma coletânea de hinos escritos ao longo de 900 anos por vários autores. Alguns deles (especialmente Davi, Moisés e Salomão) são personagens conhecidos na história do Antigo Testamento, enquanto outros são conhecidos somente no contexto da adoração em Israel por seu trabalho de conduzir o louvor da congregação.
A organização desse livro não segue a ordem cronológica, nem agrupa os hinos conforme seus autores. Os 150 Salmos se dividem em cinco livros que terminam com doxologias, ou seja, expressões de louvor direcionadas a Deus. Acompanhando na sua Bíblia, pode-se ver essas divisões facilmente:
Livro I inclui os primeiros 41 Salmos e encerra com esta doxologia: “Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, de eternidade para a eternidade! Amém e amém!” (Salmo 41:13). Davi escreveu quase todos os Salmos nesse livro.
Livro II vai do Salmo 42 até o 72. Davi escreveu a maioria desses, mas Salomão, Asafe, os Filhos de Corá e possivelmente outros contribuíram com composições. A doxologia no final desse livro diz: “Bendito seja o SENHOR Deus, o Deus de Israel, que só ele opera prodígios. Bendito para sempre o seu glorioso nome, e da sua glória se encha toda a terra. Amém e amém!” (Salmo 72:18-19).
Asafe e os Filhos de Corá, alguns dos principais responsáveis pelo louvor no templo em Jerusalém, escreveram quase todos os hinos do Livro III (Salmos 73-89). O final desse livro é simples: “Bendito seja o SENHOR para sempre! Amém e amém!” (Salmo 89:52).
No Livro IV, a maioria dos Salmos são anônimos, e os outros atribuídos a Davi e Moisés. Salmo 90, escrito por Moisés, é provavelmente o mais antigo hino no livro de Salmos. Esse Salmo fala da eternidade de Deus em contraste com a vida breve do homem. O Livro IV termina com uma doxologia quase igual à do primeiro livro: “Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, de eternidade a eternidade; e todo o povo diga: Amém! Aleluia!” (Salmo 106:48). Essa mensagem convida a participação da congregação, nos lembrando do seu papel na adoração pública.
A maioria dos hinos no Livro V são anônimos, e Davi e Salomão são identificados como autores dos outros. Nesse livro, a doxologia é maior. Todo o Salmo 150, que começa e termina com a expressão “Aleluia!” (que Deus seja louvado), é a conclusão de louvor desse último livro e da coleção inteira.
Muitos dos Salmos são hinos independentes que não identificam seu contexto histórico, enquanto outros citam fatos históricos e acontecimentos da vida do autor. Podemos determinar datas aproximadas de alguns, mas não de todos.
Por serem poemas ou hinos, os Salmos têm características musicais. Algumas delas se perdem na tradução. Alguns estudiosos comentam que a poesia hebraica não enfatizava tanto o ritmo ou rimas, e sim o paralelismo das ideias. Essas características de “rimas de ideias” são mais facilmente preservadas na tradução do hebraico para o português. Entre os exemplos mais óbvios do paralelismo estão estes dois:
O paralelismo sinonímico, em que a mesma ideia é repetida em outras palavras. “Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?” (Salmo 15:1).
O paralelismo antitético, no qual duas linhas apresentam um contraste. “Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá” (Salmo 1:6).
Quando ler ou estudar o livro de Salmos, preste atenção nas informações fornecidas sobre o autor e seu contexto histórico, e aprecie a riqueza das mensagens de louvor preservados nesse livro fascinante.

Salmo 90: Refúgio no Eterno Deus
Salmo 90, escrito por Moisés mais de 1.400 anos antes de Cristo, é geralmente considerado a mais antiga das composições do hinário de Israel. O entendimento do seu contexto histórico enriquece nosso apreço da mensagem desse Salmo.
Depois de 80 anos de preparação prática em diversas experiências, Moisés foi chamado por Deus para libertar o povo de Israel, os descendentes privilegiados de Abraão, da sua escravidão no Egito. O primeiro dos cinco livros atribuídos a Moisés servia para educar a nação sobre suas raízes nessa linhagem e seu lugar nas grandes promessas dadas aos Patriarcas. Com certeza, essas lições históricas ocuparam um espaço importante no ensinamento que Moisés deu aos israelitas no deserto, depois de saírem do Egito. O Pentateuco frisa a sublimidade do Eterno Criador em contraste com a fragilidade dos homens depois do pecado do primeiro casal. Deus é eterno, mas o homem é mortal.
Os hebreus, porém, demoraram para crer nesse Deus onipotente e eterno. Apesar de todos os sinais que presenciaram no Egito e na sua saída da escravidão, foram rápidos para questionar a bondade e o poder de Deus e do libertador que ele escolheu. Reclamaram sobre perigos no caminho, falta de água e até o gosto da comida. Deus respondeu a cada reclamação, fornecendo as coisas necessárias e, ao mesmo tempo, reprovando a falta de fé do povo. Ele lhes deu uma lei especial, organizou a religião exclusiva da nação e encaminhou os israelitas para a terra prometida a Abraão 400 anos antes.
Aquela geração, porém, não entrou na terra prometida. Dez homens covardes convenceram o povo que a terra seria inconquistável, e Deus sentenciou a geração incrédula a peregrinar no deserto. Não teriam lugar permanente para morar, e a sobrevivência dos seus filhos dependeria ainda da sua fé no Senhor. Foi nesse contexto que Moisés compôs o Salmo 90.
Quando o povo andava no deserto, sem lugar próprio, Moisés olhou para cima e disse: “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Salmo 90:1-2). Nos versículos seguintes, ele focaliza a diferença entre eternidade de Deus e a existência transitória do homem condenado por causa do seu pecado contra o Criador: “Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento” (Salmo 90:9). Para Deus, mil anos passam como algumas horas, mas para o homem, a vida dura, em média, apenas 70 ou 80 anos (Salmo 90:4,10). Por isso, o homem deve reconhecer sua própria fragilidade: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Salmo 90:12).
Quando o homem se separa de Deus por causa do pecado, ele sofre. A rebeldia de Israel colocou o povo em uma posição difícil. Enquanto vagueavam pelo deserto, sentiram-se abandonados por Deus. Por isso, Moisés representa a nação no apelo dos últimos versos do Salmo:
“Volta-te, ó SENHOR! Até quando? Tem compaixão dos teus servos.
Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias.
Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido, por tantos anos quantos suportamos a adversidade.
Aos teus servos apareçam as tuas obras, e a seus filhos, a tua glória.
Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; confirma sobre nós as obras das nossas mãos, sim, confirma a obra das nossas mãos” (Salmo 90:12-17).
Enquanto o povo buscava a volta da proteção e comunhão do Senhor, também se mostrou disposto a oferecer serviço a ele. Israel queria ver as obras de Deus (verso 16) enquanto pediu que ele aceitasse as obras do povo (verso 17). Como a separação de Deus foi consequência dos atos de um povo desobediente, a restauração da comunhão com ele seria condicionada nos atos da sua obediência.
O mesmo apelo se aplica hoje. Nossa comunhão com Deus depende da graça de Deus e da fé obediente do homem (Efésios 2:8-9). Que desejemos ardentemente a presença do eterno Deus!

Salmo 59: Deus é meu Alto Refúgio
Algumas das mais elevadas expressões de louvor são emitidas das profundezas da angústia. Salmo 59, escrito por Davi quando os servos do rei Saul esperavam uma oportunidade para matá-lo, é um excelente exemplo.
O pano de fundo histórico desse Salmo se encontra no livro de 1 Samuel (sugiro a leitura dos capítulos 16 a 19). Depois do rei Saul se mostrar rebelde diante do Senhor, este escolheu o jovem Davi para ser seu sucessor. Deus permitiu, porém, que Saul completasse seu reinado. Saul viu Davi como uma ameaça à sua dinastia e começou a persegui-lo. Davi respeitou o Senhor e a sua decisão de manter Saul no poder e se mostrou um servo fiel ao rei. Ele até tocava sua harpa para tentar animar o rei. Saul, porém, não aceitou a determinação divina e procurou oportunidades para matar Davi. Uma noite, ele mandou seus homens a vigiar a casa de Davi para matá-lo. Foi nessa ocasião que Davi escreveu o Salmo 59.
A leitura desse Salmo mostra uma progressão natural do pensamento de Davi no desdobramento da sua crise. Ele começa o poema pedindo livramento dos seus inimigos (versos 1-5), chamando Deus para despertar e ver a maldade desses adversários: “desperta, vem ao meu encontro e vê” (verso 4). Na segunda parte (versos 6-13), ele expressa sua confiança na resposta de Deus, afirmando que ele “virá ao meu encontro” (verso 10). Na última parte (versos 14-17), ele louva a Deus pelo livramento dado, mudando o tempo do verbo para mostrar o que o Senhor já havia feito: “pois tu me tens sido alto refúgio e proteção no dia da minha angústia” (verso 16).
O apelo de Davi nesse Salmo não é apenas um pedido para Deus tomar seu lado em uma disputa. Ele confia em Deus por causa da justiça da sua causa. Os adversários dele são inimigos de Deus, homens ímpios que vivem pecando: “Livra-me dos que praticam a iniquidade e salva-me dos homens sanguinários, pois que armam ciladas à minha alma” (versos 2-3). Seus perseguidores “traiçoeiramente praticam a iniquidade” (verso 5). Em contraste, Davi afirma sua própria inocência: “contra mim se reúnem os fortes, sem transgressão minha, ó SENHOR, ou pecado meu. Sem culpa minha, eles se apressam e investem” (versos 3 e 4).
Algumas expressões repetidas trazem ao cântico um certo ritmo de pensamento. Davi pede para Deus vir ao seu encontro, e depois comunica sua certeza que o Senhor faria exatamente isso (versos 4 e 10). Ele descreve os servos de Saul como predadores famintos: “Ao anoitecer, uivam como cães, à volta da cidade” (versos 6 e 14). A frase mais importante do Salmo aparece três vezes. Nos versos 9, 16 e 17, Davi chama Deus de “alto refúgio”. O Senhor responde ao seu apelo inicial de ser posto “acima do alcance” dos adversários (verso 1). Cães podem procurar carne deixada no chão, ou até atacar um animal ou pessoa ferida que caia, mas eles não podem subir árvores e muros para alcançar alguém que está bem acima deles. O livramento dado por Deus a Davi foi esse ato de levantá-lo para fora do alcance dos seus inimigos.
O refrão que descreve a caça pelos predadores é seguido por duas atitudes completamente diferentes em relação a Deus, frisando o contraste entre os servos de Saul e o próprio Davi. A primeira vez, a atitude expressa é dos ímpios: “Ao anoitecer, uivam como cães, à volta da cidade. Alardeiam de boca; em seus lábios há espadas. Pois dizem eles: Quem há que nos escute?” (versos 6 e 7). Como é típico de pessoas que ignoram Deus, esses malfeitores se achavam capazes de cometer seus crimes com impunidade, sem Deus ver seus atos maldosos (compare Salmos 10:4,11; 14:1; 36:1; 73:11; 94:3-11; Jó 22:13-14).
A segunda vez que Davi usa esse refrão, a resposta vem dele mesmo e contradiz à incredulidade dos malfeitores: “Ao anoitecer, uivam como cães, à volta da cidade. Vagueiam à procura de comida e, se não se fartam, então rosnam. Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericórdia; pois tu tens sido alto refúgio e proteção no dia da minha angústia” (versos 14-16).
Que louvemos a Deus, mesmo nos momentos de angústia e tribulações, com a mesma confiança que Davi mostrou: “A ti, força minha, cantarei louvores, porque Deus é meu alto refúgio, é o Deus da minha misericórdia” (verso 17).

Salmo 56: Que me Pode Fazer um Mortal?
Nos momentos mais difíceis da vida, a tendência humana é de ficar desesperado e procurar qualquer tipo de solução. É comum justificar mentiras, atos de violência ou outros erros por causa das circunstâncias difíceis que a pessoa enfrenta. Até no Código Penal brasileiro, como nas leis semelhantes em muitos outros países, há provisões específicas que tratam de circunstâncias atenuantes como motivos de diminuir a pena dos autores de crimes.
Davi, sendo humano, mostrou a mesma tendência. Quando o jovem Davi foi perseguido pelo rei Saul, ele fugiu. Conseguiu a ajuda do sacerdote em Nobe e, depois, saiu do seu país e procurou refúgio na cidade filisteia de Gate. Há uma certa ironia nessa escolha de Davi, pois Gate foi a cidade donde veio Golias, o campeão dos filisteus que caía diante de Davi. Se o melhor guerreiro da cidade não resistia a fé de Davi, que força de proteção ele encontraria entre esses inimigos da sua nação?
O povo de Gate não acolheu Davi. Sabiam da sua reputação de ser um guerreiro valente e desconfiavam do visitante de Israel. Davi ficou com medo de Aquis, o rei de Gate (1 Samuel 21:10-12). Quando comparamos o relato histórico de 1 Samuel com as palavras de Davi no Salmo 56, percebemos sua luta interna. Por um lado, ele procurou soluções na sua esperteza, até fingindo loucura para parecer inofensivo para o rei de Gate (1 Samuel 21:13-14). Por outro lado, ele olhou para Deus para protegê-lo. É evidente, especialmente quando acompanhamos todos os detalhes revelados sobre Davi, que a fé venceu o medo. Dois dos Salmos (56 e 34) revelam o coração de Davi nesse momento difícil. O Salmo 56, o foco deste artigo, provavelmente foi o primeiro desses dois a ser escrito, pois enfatiza a carência de Davi diante da ameaça filisteia. O Salmo 34, que examinaremos em mais detalhe no próximo artigo, comunica o alívio do autor ao ser livrado do perigo.
O título do Salmo 56 identifica o contexto histórico: “Hino de Davi, quando os filisteus o prenderam em Gate”, e o primeiro verso é um apelo urgente para a misericórdia de Deus. O autor enfrentava as ameaças dos seus inimigos: “o homem procura ferir-me; e me oprime pelejando todo o dia” (verso 1). Ao longo do Salmo, ele fala dos seus adversários no plural: “torcem as minhas palavras” (verso 5), “ajuntam-se, escondem-se, espionam os meus passos” (verso 6), “baterão em retirada os meus inimigos” (verso 9). Faz perfeito sentido que ele refere a esses adversários filisteus como estrangeiros, e não como o próprio povo de Deus, quando pede para Deus derrubar “os povos” na sua ira (verso 7). Davi viu a malícia e o número grande dos seus adversários, e reconheceu que a única resposta se encontrava em Deus (versos 2 e 3).
Davi responde à sua ansiedade com um refrão usado duas vezes no Salmo: “Em Deus, cuja palavra eu exalto, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer um mortal?” (verso 4); “Em Deus, cuja palavra eu louvo. No SENHOR, cuja palavra eu louvo, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer o homem?” (versos 10 e 11). Apesar de ter tentando resolver o problema com seus próprios recursos, Davi só achou paz e tranquilidade diante das ameaças dos inimigos ao depositar sua confiança em Deus. Diante do Criador do universo, o que um homem, ou bilhões de homens, seria capaz de fazer?
Nessas expressões de confiança em Deus, Davi alcançou a fé de que todos nós precisamos. Foi o que faltou aos israelitas no deserto quando recusaram tomar a terra que Deus lhe prometeu (Números 13:25 – 14:12). Foi a fé que trouxe livramento para Daniel na cova dos leões (Daniel 6) e para seus amigos quando foram lançados numa fornalha (Daniel 3). José demonstrou essa fé quando maltratado como escravo no Egito, diferente do seu pai, o qual passou décadas tentando manipular as pessoas e as circunstâncias para sua própria vantagem.
Davi encerra o Salmo com a reação de gratidão pelo livramento que Deus lhe deu: “Os votos que fiz, eu os manterei, ó Deus; render-te-ei ações de graças. Pois da morte me livraste a alma, sim, livraste da queda os meus pés, para que eu ande na presença de Deus, na luz da vida” (versos 12 e 13). Quando recebemos o livramento da morte, consequência do nosso próprio pecado, poderemos oferecer menos a Deus? Quando ele livra nossas almas, devemos nos entregar a ele e oferecer o nosso serviço em profunda gratidão.

Salmo 34: Busquei o SENHOR, e Ele me Acolheu
Davi escapou! Não deu nada certo quando ele procurou abrigo entre os filisteus de Gate. Para sair da cidade, ele fingiu ser louco. Aquis, o rei da cidade, não queria ser incomodado com um doido, e Davi saiu ileso. Leia o relato desse episódio em 1 Samuel 21:10-15. Davi poderia ter se gabado da sua esperteza, como seria a tendência de muitos de nós. Seria uma história fascinante para contar para seus netos um dia, de como ele enganou o rei de Gate com suas habilidades como ator. Mas, quando Davi refletiu no que aconteceu em Gate, ele não viu motivo de falar da sua inteligência em se livrar da mão de Aquis. Ele percebeu, corretamente, que escapou dos filisteus pela graça de Deus. Escreveu o Salmo 34 para adorar ao Senhor em gratidão pelo livramento.
Esse Salmo é um poema acróstico, um estilo usado várias vezes nos Salmos e outros livros. Nesses hinos, cada verso inicia com uma letra diferente na sequência do alfabeto hebraico. Esse método provavelmente teria facilitado a memorização do cântico para uso no louvor ao Senhor. Além dessa divisão alfabética, o Salmo se divide em duas partes principais: adoração (versos 1-10) e instrução (versos 11-22).
O título do Salmo identifica Abimeleque, que parece ser um título semelhante a Faraó ou César. O relato de 1 Samuel usa o nome desse rei: Aquis. Mas o foco do Salmo não é o rei de Gate, nem o futuro rei de Israel. Do começo ao fim, Davi olha para o Senhor e sua bondade para com os fiéis. Em 22 versos, ele usa o nome do Senhor (escrito SENHOR na maioria das Bíblias para mostrar que a palavra traduzida é o nome mais usado para identificar Deus no Antigo Testamento) 16 vezes.
Davi oferece louvor ao Senhor em todos os tempos (verso 1). Adorar em tempos de prosperidade e amaldiçoar em tempos de angústia é o procedimento de pecadores doidos (Jó 2:9-10). Devemos honrar o nome de Deus em todos os momentos, independente das nossas circunstâncias. Nos primeiros versos do Salmo, Davi convida todos a participarem da sua adoração. Ele se gloria somente no Senhor (verso 2), não na sua própria sabedoria, força ou posses (Jeremias 9:23-24). Deve ser a prática de todos (1 Coríntios 1:31; 2 Coríntios 10:17-18). Davi junta a graça e a fé nos pares de expressões nos versos 4,6,7,8,9,17,18 e 22: O homem que busca, clama, teme e confia no Senhor será acolhido, sustentado, protegido e justificado.
Algumas afirmações desse Salmo são especialmente memoráveis:
“O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra” (verso 7): Estas palavras preveem momentos de livramento que viriam mais tarde na história de Israel. O exército do Senhor protegeu o profeta Eliseu dos soldados siros (2 Reis 6:8-23). Ezequias, descendente do salmista, confiou em Deus quando a Assíria ameaçou a cidade de Jerusalém. O anjo do Senhor destruiu o exército invasor de 185.000 soldados em uma só noite (2 Reis 19).
“Quem é o homem que ama a vida e quer longevidade para ver o bem? Refreia a língua do mal e os lábios de falarem dolosamente. Aparta-te do mal e pratica o que é bom; procura a paz e empenha-te por alcançá-la” (versos 12-14): Nesses versos, Davi ensina a importância da moralidade e ética para viver bem
“Os olhos do SENHOR repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor. O rosto do SENHOR está contra os que praticam o mal, para lhes extirpar da terra a memória” (versos 15 e 16). A onisciência de Deus está vinculada à sua justiça e à sua graça. Ele pode condenar os ímpios e proteger os justos porque ele vê todos.
Davi falhou quando tentou resolver seu problema pela astúcia humana, mas logo corrigiu seu erro ao reconhecer a verdadeira fonte da sua salvação. Ele entendeu que foi Deus que o livrou, e demonstrou sua gratidão total nesse lindo salmo de louvor. Aceitemos seu convite: “Engrandecei o SENHOR comigo, e todos, à uma, lhe exaltemos o nome” (verso 3).

Salmo 57: Firme Está o Meu Coração
Na continuação dos nossos estudos do livro de Salmos, percebemos que Davi escreveu vários deles em situações de angústia, e especificamente durante o período de conflito com o rei de Israel, Saul. O título do Salmo 57 o posiciona nesse período: “Hino de Davi, quando fugia de Saul, na caverna”. Para este estudo e a consideração dos próximos Salmos (cronologicamente), ajudará fazer uma leitura de 1 Samuel, capítulos 22 a 24. Esses capítulos continuam a narrativa da fuga de Davi. Ele já passou por Nobe (1 Samuel 21:1-9) e Gate (1 Samuel 21:10-15). Depois de sair de Gate, ele se refugiou na caverna de Adulão, onde 400 homens se juntaram a ele (1 Samuel 22:1-2). É provável que fosse nesse tempo que ele escreveu o Salmo 57.
Os 400 homens que decidiram seguir Davi tinham motivos para brigar com Saul, o rei. Eram cidadãos frustrados e endividados, exatamente o tipo de pessoas que constituem movimentos políticos populares que procuram grandes mudanças no governo de um país. Esses homens deram apoio total ao homem escolhido para ser o sucessor de Saul, com a intenção de apressar sua posse do trono de Israel.
As instruções antes do texto do Salmo identificam a melodia a ser usada com esse hino. A partitura não foi preservada para nós, mas o título do hino base é interessante: “Não Destruas”. Essa melodia é usada em quatro Salmos (57, 58, 59 e 75). Todos esses refletem o mesmo tema: Deus preserva os fiéis e destrói os injustos.
Quando estudamos Salmo 34, que trata de uma parte da história que aconteceu um pouco antes de Davi encontrar esses 400 homens na caverna, observamos o foco do Salmo em Deus, e não na esperteza de Davi. Quando ele estava na caverna, poderia ter achado conforto e confiança na presença desses 400 homens. Mas o Salmo 57, também, enfatiza Deus como a única base da confiança de Davi. O refrão do Salmo dá honra especial ao Senhor: “Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória” (versos 5 e 11).
O Salmo 57 comunica de maneira poética a circunstância do autor, que se escondia em uma caverna. Nos primeiros seis versos do Salmo, ele encontra refúgio na sombra das asas de Deus, mas está cercado por leões e encarando sua própria sepultura. Estando nesse lugar baixo, ele recebe ajuda que desce do alto. No final do Salmo, ele vê a luz do dia e levanta seus olhos para as nuvens e os céus. Não está mais na escuridão da caverna, pois achou misericórdia na luz do Senhor.
Como a poesia hebraica frequentemente mostra uma simetria de ideias, esse Salmo inclui alguns pares de expressões, especialmente contrastes de ideias. A misericórdia e a fidelidade de Deus são enviadas do céu (verso 3) e se elevam até os céus (verso 10). No início do Salmo, Davi estava entre leões de dentes afiados (verso 4) mas, no fim, entre os povos cantando louvores a Deus (verso 9). Os perseguidores caem na cova que eles prepararam para outros, no lugar próprio para esses inimigos do Senhor, enquanto o perseguido permanece firme na sua confiança em Deus (versos 6 e 7).
As armas usadas pelos perseguidores são descritas como os dentes (lanças e flechas) e a língua (espada) do leão. Nesse momento da história, Davi temia tanto a espada dos assassinos enviados pelo rei como as palavras soltas de um homem que correu para contar para o rei o que sabia dos movimentos do perseguido. Enquanto Davi estava na caverna de Adulão, Doegue o edomita estava levando notícias a Saul (1 Samuel 21:7; 22:9-10). A língua pode ser mais perigosa do que a espada!
Diante de uma situação de perigo iminente, Davi disse que seu coração estava firme (verso 7). O segredo foi simples, mas importante para todos nós. Davi viu o tamanho das ameaças, mas viu o Senhor como muito maior. Ao invés de focar os problemas e os adversários, Davi fixou seus olhos em Deus. A angústia não achou lugar na vida desse verdadeiro adorador de Deus. Mil anos depois de Davi, Jesus Cristo ensinou exatamente o mesmo princípio (Mateus 6:25-34). Pessoas que mantêm seu foco em Deus não são dominadas pela ansiedade. Quando os problemas parecem paredes de uma caverna fechando ao nosso redor, fazemos bem em lembrar desse Salmo, escrito por um homem que se escondia em uma caverna!

Salmo 142: Ao SENHOR Ergo a Minha Voz
O título do Salmo 142 diz que essa oração foi feita por Davi quando estava na caverna. Durante sua fuga de Saul, relatada em 1 Samuel 22 – 24, Davi entrou em cavernas em, pelo menos, duas ocasiões: na caverna de Adulão (1 Samuel 22:1) e em uma no deserto de Em-Gedi (1 Samuel 24:1-3). A oração registrada no Salmo 142 pode ser de uma dessas cavernas. Pela ênfase no estado solitário do autor, sem amparo de homens, parece mais provável que seja do início de 1 Samuel 22, antes de chegarem os 400 homens que se aliaram a ele. O Salmo 142 é pequeno, composto de apenas sete versos, mas repleto de sentido e emoção. Consideremos essa oração de Davi da caverna.
“Ao SENHOR ergo a minha voz e clamo, com a minha voz suplico ao SENHOR. Derramo perante ele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação” (versos 1 e 2). A oração de Davi poderia ter sido silenciosa, uma expressão do coração claramente visível para Deus. Mas ele clamou e suplicou em alta voz, e ainda registrou para outros o conteúdo da sua oração íntima. Do coração da caverna, Davi se abriu com Deus e comunicou sobre suas angústias.
“Quando dentro de mim me esmorece o espírito, conheces a minha vereda, no caminho em que ando, me ocultam armadilha” (verso 3). Quando tudo vai bem e achamos que temos controle das nossas circunstâncias, é fácil afirmar nossa confiança no Senhor. Mas quando estamos sozinhos e isolados, fechados em lugares que parecem não ter saídas, conseguimos orar com confiança ao Senhor? É uma coisa confiar em Deus quando andamos em ruas bem iluminadas que nós mesmos escolhemos; é outra confiar nele quando não conseguimos enxergar um passo pela frente. Davi estava literalmente dentro de uma caverna, talvez rastejando no chão para se esconder dos seus perseguidores. Ele não sabia o que vinha pela frente, mas Deus sabia, e Davi achou conforto nesse fato.
“Olha a minha direita e vê, pois não há quem me reconheça, nenhum lugar de refúgio, ninguém que por mim se interesse” (verso 4). Pouco tempo antes, Davi contava com o apoio de uma boa parte do povo de Israel, dos sacerdotes, da sua mulher (filha do rei que o perseguia) e do seu melhor amigo (filho do mesmo rei). Agora, ele estava tentando sobreviver, sem saber como. É bom quando temos família, amigos e irmãos espirituais para nos ajudar, mas a falta e as falhas das outras pessoas nunca justificam nosso afastamento do Senhor.
“A ti clamo, SENHOR, e digo: tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes” (verso 5). Mesmo quando sentimos decepcionados com outros seres humanos, Deus é fiel. Davi não se esqueceu disso! Achou refúgio em Deus. A palavra quinhão significa parte ou parcela, às vezes usada da porção da herança que pertencia a uma pessoa. Davi não precisava de coisas nessa terra, pois sua porção era o próprio Senhor. O ditado popular “O pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada” se baseia claramente em princípios bíblicos. “Melhor é o pouco, havendo o temor do SENHOR, do que grande tesouro onde há inquietação” (Provérbios 15:16). No momento em que Davi orou do fundo da caverna, ele estava em uma posição melhor do que a segurança do rei no palácio!
“Atendo o meu clamor, pois me vejo muito fraco. Livra-me dos meus perseguidores, pois são mais fortes do que eu” (verso 6). Admitir a força dos adversários não é sinal de fraqueza. Davi não subestimava o poder dos seus perseguidores, nem se gabava da sua própria força. Até aí, ele foi igual aos espiões covardes que se viam como gafanhotos diante dos gigantes de Canaã (Números 13:33). Até aí! A diferença é que Davi reconhecia a grandeza de Deus e confiou no Senhor para dar livramento. Os israelitas olharam para os gigantes e não conseguiram ver Deus!
“Tira a minha alma do cárcere, para que eu dê graças ao teu nome; os justos me rodearão, quando me fizeres esse bem” (verso 7). A verdadeira adoração e as grandes orações nas Escrituras refletem o mesmo foco: Deus. Davi não procurou livramento por motivos egoístas, mas para poder servir e honrar ao Senhor, incentivando outros a glorificarem a Deus. Encontramos outros exemplos em Salmo 51:12-13; Daniel 9; Esdras 9:5-15; Filipenses 1:20-26 etc.
Afirmar confiança em Deus do topo da montanha é fácil. Confiar de fato, quando está no fundo de uma caverna, demonstra a verdadeira fé. Davi nos deixou um excelente exemplo nesse Salmo!

Salmo 52: Deus te Destruirá para Sempre
A confiança na justiça de Deus necessariamente tem dois lados. Todos que se consideram justos desejam a proteção e as bênçãos de Deus, mas poucos acreditam de fato no outro lado da moeda, a punição dos ímpios. Davi instrui sobre esse tema no Salmo 52.
Esse Salmo foi escrito em resposta à maldade de Doeque, edomita e servo do rei Saul. Doegue viu Davi em Nobe, quando este pediu a ajuda dos sacerdotes de Deus. Esse edomita foi correndo para avisar o rei do paradeiro do fugitivo. Saul foi até Nobe e mandou a execução dos 85 sacerdotes e de todos os moradores da cidade. Quando seus guardas recusaram obedecer a ordem do rei, o próprio Doegue o fez. Um dos filhos do sacerdote Aimeleque conseguiu fugir e avisar Davi da matança. Davi se sentiu responsável pela tragédia, mas também considerou Doegue especialmente culpado. Nessa ocasião, ele fez a oração registrada como Salmo 52. Antes de continuar a leitura desse artigo, seria bom ler o registro histórico em 1 Samuel 22 e o Salmo 52.
O título do Salmo 52, além de identificar seu contexto histórico, sugere para nós duas outras coisas importantes: (1) Davi queria que esse hino fosse tratado como importante, pois foi endereçado o mestre de canto, o homem responsável pelos louvores de Israel; e (2) O Salmo é didático, ou seja, serve para ensinar. Podemos aprender lições importantes aqui!
A mensagem foi dirigida a um homem poderoso, mas mal. “Por que te glorias na maldade, ó homem poderoso? Pois a bondade de Deus dura para sempre” (verso 1). No contexto histórico, o homem poderoso e mal seria Doegue, supervisor dos homens responsáveis pelo gado do rei. Esse fato, porém, não nega a aplicação dos princípios do Salmo a outros malfeitores embriagados com seu próprio poder. A ambiciosa maldade do homem leva à sua destruição, enquanto a bondade de Deus permanece.
Davi descreve o procedimento e as atitudes desse homem mal (versos 2-4). Apesar de Doegue ter usado sua espada para matar dezenas de pessoas inocentes, Davi enfatiza a maldade feita pela língua afiada que enganava e tramava a destruição. Enquanto todos reconhecem o perigo de armas de guerra, a língua continua sendo a arma mais perigosa que o homem usa. Todos nós devemos usá-la com muito cuidado!
O homem mal seria destruído por Deus na presença dos justos (versos 5-7). A maldade do homem dura por pouco tempo, mas a justiça de Deus é eterna. Os justos percebem o problema da confiança depositada nos lugares errados: “Eis o homem que não fazia de Deus a sua fortaleza; antes, confiava na abundância dos seus próprios bens e na sua perversidade se fortalecia” (verso 7).
O salmista, justo, permanece como a oliveira verdejante (versos 8-9). Uma planta valiosa e resistente, essa oliveira está na Casa de Deus. Davi sabia do seu lugar como futuro rei de Israel, conforme a decisão divina já anunciada. Ele não seria destruído por Saul, pois Deus cuidava do seu ungido. Por isso, Davi olhou para Deus e confiou, agradeceu e esperou. Ele não seria derrotado por Doegue, Saul ou qualquer outro homem.
Em contraste com a vida passageira do homem mal, arrancado da sua tenda e extirpada da terra (verso 5), Davi falou da permanência de quatro coisas: (1) A bondade divina: “Pois a bondade de Deus dura para sempre” (verso 1); (2) A vingança divina: “Também Deus te destruirá para sempre” (verso 5); (3) A confiança do justo: “confio na misericórdia de Deus para todo o sempre” (verso 8); e (4) A gratidão do justo: “Dar-te-ei graças para sempre” (verso 9).
O Salmo 52 foi escrito para uso na adoração a Deus, e claramente exalta a sua justiça, fidelidade e misericórdia. Como salmo didático, ele enfatiza um dos principais temas práticos das Escrituras: a importância da nossa escolha de fazer o bem e não seguir o mal exemplo de homens como Doegue. Um caminho leva à vida, e a outra à morte (Deuteronômio 30:15; Josué 24:15; 1 Tessalonicenses 5:21-22; Mateus 7:13-14).
Vamos sempre adorar a Deus e aprender de Davi e outros servos fiéis como honrar o Senhor pelas nossas vidas de fé obediente.

Salmo 54: Ó Deus, Salva-me
Os Salmos escritos por Davi durante sua fuga do rei Saul refletem uma atitude louvável de dependência em Deus. Apesar de ser um guerreiro de renome e um homem inteligente que gozava do apoio de uma boa parte da população de Israel, Davi claramente entendeu sua incapacidade de se salvar por seus próprios recursos ou obras. Seu livramento dependia da graça de Deus.
As primeiras partes do título do Salmo 54 enfatizam sua importância para a adoração no templo e para a instrução do povo de Deus: “Ao mestre de canto. Salmo didático. Para instrumentos de cordas”. O título continua com a identificação do autor e da circunstância histórica: “De Davi, quando os zifeus vieram dizer a Saul: Não está Davi homiziado entre nós?” Com base nessas informações, podemos saber da situação que levou Davi a escrever esse hino didático.
Depois de receber a notícia da matança em Nobe pelos servos de Saul (1 Samuel 22), Davi e seus homens foram ajudar a cidade de Queila a se defender contra os filisteus, os principais inimigos de Israel. Deus revelou para Davi que Saul chegaria à cidade e que os homens de Queila iam entregá-lo ao rei ciumento. Davi, querendo evitar uma tragédia igual à matança em Nobe, resolveu sair da cidade. O resultado foi o efeito desejado: Saul não atacou a cidade de Queila.
Davi e seus 600 homens foram para o deserto de Zife, no sul de Judá. Jônatas, o filho do rei e amigo de Davi, chegou a encorajar o fugitivo, afirmando sua confiança no plano de Deus de estabelecer Davi como rei sobre Israel (1 Samuel 23:15-18).
Nem todos mostraram a fé e a lealdade de Jônatas, porém. Os zifeus foram para Gibeá e fizeram um pacto para entregar Davi nas mãos do rei Saul. Com essas novas informações, o rei renovou sua perseguição de Davi (1 Samuel 23:19-25). Foi nessa ocasião que Davi fez a oração de Salmo 54. Ao longo do Salmo, ele faz contrastes entre si mesmo, como justo servo de Deus (versos 2,4,6), e seus perseguidores violentos e insolentes (versos 3,5,7).
“Ó Deus, salva-me, pelo teu nome, e faze-me justiça, pelo teu poder” (verso 1). Davi procura o livramento, não por causa do seu próprio mérito, mas com base no justo caráter de Deus.
“Escuta, ó Deus, a minha oração, dá ouvidos às palavras da minha boca” (verso 2). Davi, como servo humilde, não chega à presença de Deus com demandas. Ele implora a Deus que este ouça suas súplicas, entendendo que a oração não é direita humana, e sim o privilégio daqueles que andam em comunhão com seu Criador.
“Pois contra mim se levantam os insolentes, e os violentos procuram tirar-me a vida; não tem Deus diante de si” (verso 3). Os perseguidores de Davi são, também, inimigos de Deus. Por isso, o salmista confia em Deus para ouvir suas petições e defendê-lo contra os adversários.
Há uma pausa musical depois do verso 3, representado pela palavra hebraica “Selá”. Essa pausa dá o efeito de esperar a resposta à súplica, que vem a partir do verso 4.
“Eis que Deus é o meu ajudador, o SENHOR é quem me sustenta a vida. Ele retribuirá o mal aos meus opressores; por tua fidelidade dá cabo deles” (versos 4 e 5). Apesar de estar acompanhado por 600 homens nesse momento (1 Samuel 23:13), Davi reconheceu Deus como seu ajudador. A confiança da resposta às orações é enraizada na certeza do caráter de Deus. Davi pediu salvação pelo nome (caráter) de Deus (verso 1), e sabia que a fidelidade de Deus será evidente no seu castigo dos opressores.
“Oferecer-te-ei voluntariamente sacrifícios; louvarei o teu nome, ó SENHOR, porque é bom. Pois me livrou de todas as tribulações; e os meus olhos se enchem com a ruína dos meus inimigos” (versos 6 e 7). A resposta adequada ao livramento divino é a adoração e gratidão. Davi viu motivos para louvar o Senhor e lhe oferecer sacrifícios, porque Deus ouviu suas súplicas e derrotou seus adversários.
No final do Salmo 54, Davi foi libertado, e seus inimigos, vencidos. Mas o vencedor digno de louvor é o próprio Senhor!

Salmo 11: Foge para Teu Monte?
O título do Salmo 11 identifica Davi como autor, mas não cita a circunstância específica que ocasionou sua composição. É provável que o mais famoso salmista de Israel tenha escrito esse Salmo durante o período de conflito com Saul, o primeiro rei de Israel. Como Davi resiste, nesse momento, a tentação de fugir para seu monte, é possível que o Salmo 11 seja posicionado no início do conflito com Saul, quando Davi permaneceu como servo fiel ao rei (1 Samuel 18), e antes da fuga relatada em 1 Samuel 19 em diante. Davi nem sempre demonstrou a determinação e resistência à tentação comunicadas nesse Salmo.
“No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte” (verso 1). Montanhas são lugares naturais de proteção, citadas nesse sentido diversas vezes nas Escrituras. Nessa ocasião, porém, a opção de se esconder no monte seria um fracasso espiritual. Enquanto Davi ouvia esse conselho de alguém, ele pensou no seu relacionamento com o próprio Senhor. Fugir para os montes seria falta de confiança em Deus. Deus escolheu Davi para ser o próximo rei de Israel, e as perseguições por Saul e seus servos não negariam a promessa divina. Davi agiria por fé, e não como um pássaro seguindo instintos de autopreservação.
“Porque eis aí os ímpios, armam o arco, dispõem a sua flecha na corda, para, às ocultas, dispararem contra os retos de coração” (verso 2). Os injustos que ameaçavam Davi estavam bem armados e se escondiam para armar uma cilada, uma descrição que se enquadra bem na realidade das perseguições que Davi sofria por causa da inveja de Saul. Sabemos que Davi manejava bem as armas de guerra, mas ele não faz um comentário sequer sobre o emprego desse meio de autodefesa.
“Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (verso 3). O governo do rei Saul não seguia os princípios de justiça determinados por Deus. Davi não teria recursos legais diante dos homens, uma vez que o próprio rei determinou matá-lo. A circunstância de Davi não foi tão diferente da realidade em muitos países atuais. A corrupção e impunidade de líderes governamentais destroem os fundamentos que deveriam reger seu trabalho. O cidadão perde confiança nas instituições do governo, pois não vê a justiça cega aplicada igualmente a todos. Se podemos nos identificar com o dilema de Davi, devemos continuar e ver como ele solucionou esse problema.
Diante do fracasso de um governo que não defende a justiça, o que pode fazer o justo? A resposta vem no resto do Salmo.
“O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens. O SENHOR põe a prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina” (versos 4 e 5). Primeiro, Deus reina! Jamais devemos esquecer da sua soberania, mesmo quando não enxergamos ou não compreendemos seus atos (Daniel 4:32). Segundo, Deus vê! Ele observa o procedimento de todos. Homens injustos podem escapar da justiça humana e continuar usufruindo os privilégios alcançados por sua desonestidade, mas Deus está vendo tudo. Terceiro, Deus julga! Ele põe a prova e faz distinção entre o justo e o ímpio. Quarto, Deus rejeita! Às vezes, comentamos que Deus odeia o pecado mas ama o pecador. No sentido de oferecer a graça a todos, há verdade nesse ditado (João 3:16). Porém, alguns textos bíblicos mostram que Deus abomina a pessoa que persiste no pecado (Levítico 20:23; Salmo 5:5; Oseias 9:15). A alma do Senhor abomina aquele que ama a violência.
“Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será a parte do seu cálice. Porque o SENHOR é justo, ele ama a justiça; os retos lhe contemplarão a face” (versos 6 e 7). Davi encerra o Salmo com declarações confiantes da justiça de Deus. Ele pune os perversos e aceita em comunhão eterna aqueles que amam a justiça. Deus predeterminou o destino de cada um, conforme sua decisão de amar a justiça ou amar o pecado. Escolhemos o nosso caminho, para a vida ou para a morte (Deuteronômio 30:15-20; Mateus 7:13-14).
Jamais devemos ficar desesperados diante das injustiças desse mundo, pois os justos confiam no Deus que está no seu templo celestial, pronto para julgar todos.

Salmo 17: Ouve, SENHOR, a Causa Justa
Vários dos Salmos identificam o autor e o contexto histórico da sua composição. Alguns, como o Salmo 17, nos informa do autor (Davi) sem especificar a circunstância na sua vida quando escreveu o hino. Em casos assim, é comum identificar, pelo estudo da história da vida do autor e do próprio Salmo, um ou mais possíveis contextos. A linguagem de Salmo 17 se ajusta bem ao período de conflito entre Saul e Davi, registrado em 1 Samuel 18 a 26.
Esse Salmo consiste de uma série de apelos feitos ao Senhor, uma oração de Davi durante um período de ameaça no qual ele foi cercado por inimigos que procuravam sua morte. O primeiro versículo apresenta três vezes a súplica para uma audiência divina: (1) “Ouve, SENHOR, a causa justa”, (2) “atende ao meu clamor”, (3) “dá ouvidos à minha oração”.
Davi não pede apenas a condenação dos seus opressores, mas o julgamento dos dois lados. Ele mostra a consciência limpa e a certeza de ser julgado justo, vítima inocente dos ataques dos seus perseguidores.
O salmista inicia com um pedido de julgamento divino, obviamente feito com equidade (versos 1 e 2), começando com a avaliação do seu próprio comportamento: “Sondas-me o coração… provas-me no fogo e iniquidade nenhuma encontras em mim; a minha boca não transgride” (verso 3). É difícil compreender tal confiança diante do Santo Deus apenas da perspectiva das obras de Davi, um homem que se mostrou humildade diante de Deus e era ciente das suas falhas. A única maneira que uma pessoa pode permanecer na presença do Criador é pela graça do Redentor, uma mensagem prevista no Antigo Testamento e revelada claramente no Novo. Todos pecamos (Romanos 3:23), mas todos somos convidados a receber a graça demonstrada no sangue redentor de Jesus Cristo (Romanos 3:24-26; 6:23; 8:31-34). Da mesma maneira que qualquer um pode rejeitar a misericórdia de Deus hoje, Davi viu seus opressores como homens violentos e não arrependidos, merecedores da condenação divina (verso 4). Em contraste com os violentos, Davi andava no caminho definido pelo Senhor (verso 5).
Davi continua sua oração com uma solicitação de proteção divina (versos 6 a 9). Ele implora a Deus que este ouça suas palavras e pede refúgio sob as asas do Senhor. A linguagem do verso 8 foi empregada por Jesus quando ele falou da sua vontade de salvar o povo de Jerusalém, mas ele frisou uma diferença fundamental entre Davi e os judeus que rejeitaram seu Salvador. Ele queria protegê-los, mas eles não desejavam a salvação que ele ofereceu (Mateus 23:37). Deus não estende a sombra das suas asas sobre todos. Ele convida, mas nós decidimos aceitar ou não o refúgio que ele oferece (Mateus 11:28-30).
Davi pede proteção de homens perversos, insolentes e violentos (versos 10 a 12). Ele viu esses perseguidores como um leão esperando em emboscada para matar sua presa, mas Davi obviamente continuou confiando no Deus que lhe havia dado vitória sobre um leão quando ele era apenas menino cuidando das ovelhas do seu pai (1 Samuel 17:34-36). As histórias bíblicas não nos chamam a subestimar o poder dos adversários, até comparando o próprio Satanás a um leão que ruge e procura sua presa (1 Pedro 5:8-9). Não foi errado para os israelitas ver o tamanho dos gigantes em Canaã (Números 13:33) ou a imensidade do campeão filisteu que os desafiava (1 Samuel 17:4-11). Não é errado reconhecer que os desafios e tentações que encaramos são grandes, até muito maiores do que nós. O problema vem quando não enxergamos a superioridade de Deus sobre todos os inimigos. A vitória não vem pelo tamanho da nossa fé, mas pelo tamanho do Deus no qual confiamos. Davi entendeu isso.
A vitória de Davi sobre seus opressores viria pela espada que Deus segurava na sua mão, não por sua própria força humana (versos 13-14). Ele confiou na justiça de Deus que traria proteção para o inocente e punição para seus perseguidores perversos.
No final da história, pela misericórdia de Deus, Davi ainda estaria de pé: “Eu, porém, na justiça contemplarei a tua face; quando acordar, eu me satisfarei com a tua semelhança” (verso 15).

Salmo 109: Os Seus Dias Sejam Poucos
As orientações que introduzem Salmo 109 sugerem para ele um lugar importante na adoração de Israel: “Ao mestre de canto. Salmo de Davi”. O salmista de Israel, guiado pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:20-21), escreveu essas palavras para exaltar o Senhor e ensinar sobre sua justiça. Todos que estudam as Escrituras com seriedade lutam com esse e os outros Salmos imprecatórios, cuja mensagem principal é de maldição aos malfeitores. Especialmente com o pano de fundo da mensagem redentora do evangelho de Cristo, achamos difícil conciliar essas imprecações com o espírito do servo do Senhor. Mas, sabemos que Davi era um homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22). Ele escreveu sobre o amor e a misericórdia, mas também frisou a vingança de um Deus santo e justo. A fé verdadeira não nos permite a liberdade de moldar Deus conforme as nossas preferências e preconceitos. É importante estudar todos os aspectos do caráter divino, e um deles é sua ira contra os malfeitores. É no Novo Testamento com sua mensagem de graça e salvação que achamos estas palavras sombrias: “Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:30-31). Qualquer teologia que nega a justa vingança de Deus não é uma teologia bíblica. O Salmo 109 nos ajuda a compreender esse fato inconveniente.
Como um homem fiel a Deus poderia pedir a destruição dos seus inimigos? Davi falou de uma posição que poucos ocupam. Ele tinha certeza da sua própria comunhão com Deus, e convicção que seus adversários eram, principalmente, inimigos de Deus. Ele não estava pedindo para Deus tomar partido em alguma disputa política. Ele foi um servo e guerreiro do Senhor na batalha contra o mal, e desejava a vitória do seu Rei justo.
Como Davi se refere aos inimigos que ele tratava com amor (verso 4), parece provável que o contexto do Salmo 109 seja um dos períodos de conflitos internos em Israel, talvez a perseguição por Saul ou a guerra civil provocada por Absalão alguns anos depois.
Quem falará? Os primeiros três versos apresentam um contraste entre Deus e os inimigos de Davi. Os inimigos falavam mentiras e palavras odiosas (versos 2 e 3). Davi pede para Deus agir: “Ó Deus do meu louvor, não te cales!” (verso 1). A voz da justiça de Deus seria a única resposta necessária e adequada para as falsas acusações dos adversários de Davi.
O contraste entre o procedimento de Davi e o dos seus adversários é frisado nos versos 4 e 5. Ele mostrou amor e bondade, e eles responderam com hostilidade e ódio. Mesmo quando os outros nos maltratam, lembremos do exemplo de Davi e das instruções de Jesus: “Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles” (Lucas 6:31).
Nos versos 6 a 20, Davi pede que Deus traga sobre seus inimigos as justas consequências dos seus crimes. Nós podemos sentir a mesma vontade de ver a justiça aplicada quando um assassino, estuprador ou pedófilo é julgado no tribunal. Davi sugere castigos apropriados pelos delitos cometidos. Ele deseja ver seus inimigos condenados e levados à pobreza e até à morte precoce. Diferente do desejo normal que um justo deixe descendentes respeitados, a vontade de Davi é ver a linhagem e a lembrança dos seus inimigos apagadas da terra.
O salmista explica que o motivo das suas severas imprecações não é apenas uma questão de ofensa particular contra sua pessoa, mas crimes de injustos que maltratavam pessoas inocentes. Ele diz do seu inimigo: “Porquanto não se lembrou de usar de misericórdia, mas perseguiu o aflito e o necessitado, como também o quebrantado de coração, para os entregar à morte” (verso 16). A justiça que Davi pediu seria conforme os crimes: “Amou a maldição; ele o apanhe; não quis a bênção; aparte-se dele” (verso 17). Ainda assim, Davi deixou a vingança nas mãos de Deus, não procurando sua própria vingança: “Tal seja, da parte do SENHOR, o galardão dos meus contrários… Mas tu, SENHOR Deus, age por mim, por amor do teu nome” (versos 20-21; compare o ensinamento de Paulo em Romanos 12:19).
Davi encerra esse Salmo com um apelo a Deus pela sua própria salvação dos malfeitores, e anuncia sua intenção de agradecer e louvar a Deus publicamente. No final das contas, o assunto é muito mais do que a vindicação dos direitos de Davi. É o nome do Deus justo que é honrado!

Salmo 91: Fizeste do Altíssimo a Tua Morada
O Salmo 91 é um dos mais conhecidos e confortantes dos hinos de Israel. Não sabemos o nome do autor nem seu contexto histórico. Alguns comentaristas sugerem que venha do período da peregrinação de Israel no deserto, depois do êxodo do Egito, mas antes da conquista da terra prometida. Outros percebem linguagem típica dos Salmos de Davi, talvez depois de ser livrado das perseguições de Saul, ou depois de uma campanha militar bem-sucedida, ou depois do conflito civil provocado pela tentativa de golpe por seu filho Absalão. O Espírito Santo achou importante nos revelar a mensagem desse Salmo, mas não fez questão de posicionar esse poema em um determinado contexto histórico. Esse fato pode ter contribuído à aceitação geral do Salmo, pois todos passam por momentos difíceis e podem se beneficiar da sua mensagem confortante de proteção divina. Vamos considerar a mensagem desse riquíssimo hino.
O Salmo começa com uma afirmação do acesso dos justos a Deus: “O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao SENHOR: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio” (versos 1 e 2). As primeiras palavras do Salmo nos desafiam a pensar sobre nosso relacionamento com Deus. Ele não descreve a pessoa que se lembra do Senhor eventualmente, em momentos de angústia, nem a pessoa que se mostra “espiritual” por algumas horas por ano/mês/semana em reuniões religiosas enquanto dedica a vida à procura de coisas e prazeres desse mundo. A pessoa descrita aqui vive em comunhão íntima com Deus.
As pessoas que vivem nessa relação especial com Deus têm sua garantia de segurança (versos 3 a 8). O Senhor lhes dá livramento das ciladas dos inimigos, pois encontraram refúgio sob suas asas (exatamente o que Jesus desejava dar para o povo de Jerusalém – Mateus 23:37). Em contraste, aqueles que rejeitam o Senhor, como Jerusalém fez com Jesus, sofrem o castigo divino (versos 7 e 8; Mateus 23:38). O uso dessa linguagem por Jesus nos ajuda a evitar interpretações equivocadas. Cristo e os apóstolos não prometeram livramento de sofrimento nesta vida, e sim a segurança eterna (Mateus 10:28; 2 Timóteo 3:10-12).
A moradia com Deus é o lugar seguro. Voltando à linguagem dos primeiros dois versos, o salmista reitera o motivo da segurança do fiel: “Pois disseste: O SENHOR é o meu refúgio. Fizeste do Altíssimo a tua morada. Nenhum mal te sucederá, praga nenhuma chegará à tua tenda” (versos 9 e 10). Essas promessas não são universais. Deus estende suas asas para proteger aqueles que desejam acima de tudo a comunhão com ele. Essa linguagem exclui interesseiros egoístas que tratam Deus como uma lâmpada de gênio que vive para realizar seus desejos.
Os próprios anjos protegem os fiéis! Deus dá ordens aos seus servos celestiais para cuidar dos homens que andam em comunhão com ele (versos 11 a 13). A Bíblia ensina que os anjos são seres superiores aos homens (Hebreus 2:6-7), mas o mesmo texto afirma que Deus envia seus anjos para servir os herdeiros da salvação (Hebreus 1:14). Alguns erram ao defender doutrinas especulativas sobre anjos e exatamente como eles agem a favor dos justos, assuntos que não são abordados nesses textos bíblicos. Outros elevam anjos mais ainda, chegando a adorar essas criaturas. O Criador, e nenhuma criatura, é o único objeto válido da nossa adoração (Romanos 1:25). Mas não vamos perder o significado desses versos do Salmo 91. Não precisamos entender o mecanismo para achar conforto no fato. Não é necessário entender como os anjos protegem para ser consolado pela promessa divina dada aqui.
O final do Salmo 91 é a melhor parte! Nos primeiros 13 versos, o salmista falou sobre as decisões dos homens e a confiança na ajuda divina oferecida por meio dos anjos. Os últimos três versos transmitem as palavras do próprio Senhor: “Porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei; pô-lo-ei a salvo, porque conhece o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; na sua angústia eu estarei com ele, livrá-lo-ei e o glorificarei. Saciá-lo-ei com longevidade e lhe mostrarei a minha salvação” (versos 14 a 16).
É por bons motivos que o Salmo 91 é universalmente conhecido e amado. Mas erramos em tratá-lo como uma promessa de salvação barata. Esse Salmo fala das bênçãos dadas exclusivamente às pessoas que vivem em íntima comunhão com o Criador e Salvador.

Salmo 6: O SENHOR Ouviu a Minha Súplica
Nosso estado emocional e espiritual afeta o bem-estar físico. É comum ver uma pessoa angustiada ou deprimida apresentar sintomas de doenças físicas, e de ver esses mesmos sintomas sumirem se o problema que os causou for resolvido. No Salmo 6, Davi citou os efeitos físicos do seu sofrimento em consequência do seu próprio pecado e por causa dos adversários que o maltratavam.
O cabeçalho do Salmo 6 inclui instruções musicais para seu uso na adoração em Israel. Foi confiado ao mestre de canto a tarefa de conduzir esse Salmo para ser acompanhado por instrumentos de oito cordas. Como o uso de instrumentos musicais foi característica da adoração no templo, essa anotação nos lembra do empenho de Davi em preparar as coisas para a construção do templo e organizar o culto para glorificar o Senhor. A adoração em Jerusalém não foi feita desleixadamente, conforme o humor de cada pessoa; foi um trabalho realizado com planejamento e dedicação. Ainda hoje, Deus deseja reuniões espirituais realizadas com decência e ordem (1 Coríntios 14:40).
A introdução atribui o Salmo a Davi, mas não identifica seu contexto histórico. Considerando a mensagem e o tom do Salmo, uma boa possibilidade seria no início do reinado de Davi, talvez logo depois de ser aceito como rei pela nação inteira. A leitura dos primeiros quatro capítulos de 2 Samuel, que registram as dificuldades que Davi enfrentou para consolidar o reino, serve para enriquecer o entendimento da mensagem desse Salmo. Deus já havia nomeado Davi como sucessor de Saul, mas a aceitação do novo rei pelo povo não foi imediata. O povo do sul de Israel, no território de Judá, aclamou Davi como rei logo após a morte de Saul, mas muitos apoiaram como rei o único filho sobrevivente de Saul, Isbosete. Houve conflito entre os defensores dos dois, e Davi foi aceito pela nação inteira somente depois da morte de Isbosete.
O Salmo inclui um elemento que não recebeu destaque nos anteriores, e até sugere a possibilidade de um outro contexto na vida de Davi (realmente não sabemos quando esse Salmo foi escrito): a penitência do autor. Nesse hino, Davi pede a misericórdia de Deus diante do castigo divino (versos 1 e 2). Diferente das afirmações da íntima comunhão com o Senhor que caracterizavam os primeiros Salmos, esse mostra a preocupação de Davi com sua distância de Deus, e sua ansiedade para voltar a gozar o favor do Senhor (versos 3 a 5).
O Salmo se divide em duas partes principais. Davi pede a compaixão divina (versos 1 a 7), e depois afirma ter recebido a libertação solicitada (versos 8 a 10). Vamos examinar essas duas partes do hino.
Davi abre o Salmo com uma oração urgente, na qual ele implora ao Senhor pedindo compaixão e a restauração da comunhão (versos 1 a 5). Ele admite ser merecedor do castigo de Deus e sente-se abalado por sua separação de Deus. Não é difícil citar exemplos de pecado na vida de Davi, inclusive no período que antecede sua ascensão ao trono em Israel.
A pergunta “Até quando?” (verso 3) é comum no Antigo Testamento, geralmente indicativa do desespero do homem longe da proteção divina. Davi reconhece a real possibilidade da sua morte, mas seu apelo não é egoísta. Ele diz que o serviço ao Senhor seria interrompido pela morte, e ele quer continuar louvando a Deus (verso 4). Davi sofria muito durante esse período, chorando todas as noites. O sofrimento de Davi não foi apenas uma questão de castigo divino por causa dos seus erros. Ele sofre por causa dos seus adversários.
Nos últimos três versos, Davi ocupa novamente a posição de justo protegido dos adversários que praticam a iniquidade. Deus ouviu sua petição e, evidentemente, afastou de Davi seu castigo. Agora, a ira de Deus foca os inimigos, os pecadores que não mostraram o mesmo coração contrito.
Enfrentar adversários humanos é difícil. Encarar tais inimigos sem o apoio divino é muito pior. Davi não temia os homens, mas não queria tomar mais um passo sem a comunhão de Deus.

Salmo 105: Buscai o SENHOR e o Seu Poder
Na nossa tentativa imperfeita de estudar os Salmos em ordem cronológica, valorizamos as informações nos cabeçalhos. Muitos Salmos, porém, não incluem essas informações sobre autor, propósito, uso e contexto histórico dos hinos. Em alguns casos, porém, a ajuda vem de outros livros da Bíblia. Como trechos dos Salmos 96, 105 e 106 aparecem no registro histórico de 1 Crônicas 16, reconhecemos a probabilidade de serem Salmos de Davi escritos nessa ocasião.
Depois de ser aclamado rei sobre toda a nação de Israel, Davi começou a corrigir algumas falhas do seu predecessor, Saul. O primeiro rei não se preocupou com o móvel mais sagrado de Israel, que ficou guardado em Quiriate-Jearim durante décadas (pode-se ver como isso aconteceu no relato de 1 Samuel 4:1 – 7:1).
Um dos primeiros atos oficiais de Davi, o segundo rei de Israel, foi de animar o povo a levar a arca para Jerusalém, a cidade que ele escolheu como sede do governo e que Deus escolheu como sede da religião nacional. Depois de algumas complicações no caminho, Davi e o povo receberam a Arca em Jerusalém com alegria (1 Crônicas 15:14-28).
Davi organizou o culto nacional, designando os levitas responsáveis por vários serviços. Ele se dedicou, especialmente, à adoração. Escolheu Asafe como chefe dos músicos e outros para dirigirem cânticos, tocarem instrumentos etc. (1 Crônicas 15:16-24; 16:4-7). Em 1 Crônicas 16, foi registrado um hino que inclui trechos dos Salmos 105, 96 e 106 (nesta ordem). Por esse motivo, tratamos esses três Salmos como obras de Davi escritas para essa ocasião de iniciar o serviço no tabernáculo em Jerusalém depois da chegada da Arca. Os versos registrados em 1 Crônicas 16:8-22 são basicamente idênticos aos primeiros quinze versos do Salmo 105. É possível que o autor de 1 Crônicas tenha abreviado seu relato para incluir seleções dos outros dois Salmos citados. Aqui, vamos considerar a mensagem de Salmo 105 inteiro. Sugiro uma pausa para ler o Salmo antes de continuar a leitura deste artigo.
O Salmo 105 se divide naturalmente em duas partes principais. Nos primeiros seis versos, o autor chama os hebreus à adoração. Preste atenção nos verbos usados: rendei, invocai, fazei conhecidos, cantai, narrai, gloriai, buscai, lembrai. Esses versos convidam a nação a adorar o Senhor. O resto do Salmo (versos 7 a 45) serve como fundamento desse louvor, facilitando a resposta à instrução do verso 5: “Lembrai-vos das maravilhas que fez, dos seus prodígios e dos juízos dos seus lábios”. O salmista focaliza a história da origem da nação até a sua chegada à terra prometida, as mesmas informações relatadas com mais detalhes nos livros de Gênesis até Josué. Nessa segunda parte do Salmo, ele inicia com as promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó, traça a história pelo período da escravidão no Egito, enfatiza a libertação por meio de Moisés e encerra com a posse da terra de Canaã.
Dois fatos merecem destaque especial:
(1) A ênfase está nas obras de Deus, não nos feitos humanos. Ao longo do Salmo 105, encontramos verbos no singular que se referem às obras de Deus: Ele fez, confirmou, repreendeu, enviou, tornou, transformou, falou, deu, feriu, estendeu, fendeu, conduziu etc. Servos de Deus devem imitar esse bom exemplo. Não temos motivo de nos gloriar em nossas obras, e sim de nos alegrar nas maravilhas realizadas por Deus. Esse princípio se aplica ao trabalho realizado nessa vida, mesmo em serviço a Deus. Quando Paulo e Barnabé voltaram da sua viagem missionária, a igreja em Antioquia se reuniu e “relataram quantas coisas fizera Deus com eles…” (Atos 14:27). Homens servem no Reino de Deus, mas o crescimento vem de Deus (1 Coríntios 3:6) e a glória pertence exclusivamente a ele (1 Coríntios 1:31; 2 Coríntios 10:17-18).
(2) Deus protege seu povo, dizendo: “Não toqueis nos meus ungidos” (Salmo 105:15). Essa palavra (ungidos) se aplica a todos que pertencem ao Senhor (compare 1 João 2:27-29), e não apenas a uma classe de líderes (como muitos hoje abusam do princípio para se isentarem de críticas). O ponto do Salmo 105 é que Deus agiu durante séculos para proteger a nação de Israel.
A proteção divina é motivo de adoração. Do começo (“Rendei graças ao SENHOR”) ao fim (“Aleluia”), o Salmo 105 é um hino de louvor!

Salmo 96: Porque Grande é o SENHOR
Davi, o segundo rei de Israel, organizou o serviço ao Senhor em Jerusalém. Nomeou os homens responsáveis para conduzir a adoração dos israelitas. O primeiro hino registrado nesse contexto do culto em Jerusalém inclui partes dos Salmos 105, 96 e 106 (nesta sequência). A mensagem é da dignidade de Deus como o exclusivo objeto legítimo de adoração. Ele merece as expressões de gratidão das suas criaturas e deve ser honrado por hinos de adoração. Neste artigo, consideramos a mensagem do Salmo 96.
Salmo 96 se destaca dos outros dois citados por sua mensagem universal. Charles Spurgeon o descreveu como um hino missionário, pois seu apelo se dirige às nações, e não exclusivamente a Israel.
O Salmo começa com um convite tríplice de cantar ao SENHOR (versos 1 e 2). O Salmista convida os adoradores a cantar “um cântico novo”. Essa expressão, encontrada várias vezes nos Salmos, pode significar apenas o fato do hino ter sido escrito para uma ocasião específica. É importante notar, porém, o uso das mesmas palavras em outros livros que falam sobre a salvação em Cristo. A frase aparece em Isaías 42:10 em um contexto que anuncia a vinda do Servo do Senhor com sua mensagem para os gentios (nações não judias). O capítulo é citado no Novo Testamento como profecia sobre Jesus (Mateus 12:18-21; Lucas 2:32 etc.). No livro do Apocalipse, um novo cântico está vinculado à mensagem da redenção em Cristo (considere Apocalipse 5:9 e 14:3 nos seus respectivos contextos). É certo ver no Salmo 96 um vislumbre do evangelho de Jesus Cristo que seria pregado a todas as nações. O Salmo foi composto 1.000 anos antes do nascimento de Jesus, mas ocupa um lugar importante no louvor dos cristãos atuais, pois nos chama a proclamar a mensagem da salvação às nações.
A natureza universal da mensagem de Deus se torna evidente pelas expressões empregadas nesse Salmo: “todas as terras” (versos 1 e 9), “entre as nações” (versos 3 e 10) e “entre todos os povos” (verso 3), os “povos” (versos 5, 7, 10 e 13) e “o mundo” (verso 13). Diferente dos outros Salmos da ocasião (105 e 106), que focalizavam a relação de Deus com a nação escolhida de Israel, este Salmo reconhece o domínio universal do único Deus e seu desejo de estender a salvação a todos.
Como já observamos em outros Salmos, a mensagem do Salmo 96 é de honrar e glorificar o Senhor. A salvação dos homens depende do seu reconhecimento da grandeza do soberano Criador do universo. Não encontramos tons de pluralismo na mensagem bíblica. O Deus da Bíblia não é um de vários, mas o único verdadeiro: “Porque todos os deuses dos povos não passam de ídolos; o SENHOR, porém, fez os céus. Glória e majestade estão diante dele, força e formosura, no seu santuário” (versos 5 e 6). Essa mensagem é de suma importância no mundo atual, onde a noção da igualdade de todas as religiões e filosofias domina. O Deus verdadeiro é tudo: soberano, onipotente, onisciente e onipresente; ele não é igual a zero, que é a soma dos outros deuses.
Deus merece o louvor de todos os povos de todas as terras porque ele é o Senhor do mundo inteiro; ele reina sobre todos e julga o mundo na sua justiça (versos 7-13). Alguns judeus no período do Antigo Testamento esqueceram desse fato. Como outros povos acreditavam em deuses locais com autoridade limitada (1 Reis 20:28), alguns judeus começaram a crer na mesma noção sobre seu Deus. Jonas até pensou que fosse possível fugir da presença de Deus (Jonas 1:3). O autor do Salmo 96 não se enganou com tais ideias, pois acreditou firmemente no domínio universal do Criador e do dever de todos os homens de honrar o Senhor com seu serviço e louvor. Deus teve uma relação especial com seu povo escolhido durante séculos, mas nunca esqueceu dos outros povos. Todos teriam acesso à mesma graça em Jesus Cristo (Atos 10:34-36). Mesmo durante a vigência da lei dada aos israelitas no monte Sinai, Deus aceitava pessoas de outras nações que vieram adorá-lo. É aos povos não judeus que o Salmista diz: “Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; trazei oferendas e entrai nos seus átrios. Adorai o SENHOR na beleza da sua santidade; tremei diante dele, todas as terras” (versos 8 e 9).
Deus merece, e sempre merecia, o serviço de todas as suas criaturas!

Salmo 106: Mas Ele os Salvou por Amor do Seu Nome
Porções dos Salmos 105, 96 e 106 aparecem em 1 Crônicas 16, o primeiro hino preservado nas Escrituras do culto de Israel em Jerusalém. A ocasião foi a chegada da Arca da Aliança à cidade de Davi, durante os primeiros anos do reinado desse rei. Nos primeiros dois desses Salmos, como observamos em artigos anteriores, o foco está na dignidade de Deus para receber o louvor dos israelitas (pois fez grandes obras diante deles) e dos outros povos (pois o mesmo Deus é o Criador de todas as pessoas e Soberano sobre todas as nações).
Vale a pena ler esse Salmo várias vezes, observando sua estrutura, as palavras e temas repetidos e os contrastes entre o povo desobediente e o próprio Senhor e seus servos fiéis. Esse cântico é histórico em sua organização, relatando experiências dos israelitas com Deus desde o Egito até as primeiras gerações da sua habitação na terra prometida, Canaã. A compreensão do seu conteúdo depende do nosso conhecimento dos livros de Êxodo até 2 Samuel, além dos primeiros capítulos de 1 Crônicas.
O Salmo inicia e encerra com palavras de adoração dirigidas a Deus (versos 1,47 e 48). A primeira e última palavra, aleluia, significa “louvado seja Deus”. Verso 48 é a doxologia (palavra de glória ou louvor) do quarto dos cinco livros contidos no livro de Salmos. Esses são os únicos versos desse Salmo inclusos no hino de 1 Crônicas 16, sugerindo a possibilidade daquele capítulo apresentar apenas uma versão abreviada. De qualquer maneira, o estudo do Salmo inteiro enriquece nosso apreço por Deus, suas obras, sua justiça e sua misericórdia.
Versos 4 a 7 são dirigidos ao Senhor, também. O autor se posiciona como representante da nação de Israel quando pede a salvação e confessa os pecados do povo, tanto da sua geração como dos seus antepassados.
Embora o Salmo 106 comece e encerre com palavras dirigidas ao Senhor, quase toda a sua mensagem foi escrita para ensinar o povo, explicando o motivo de adorar a Deus e reconhecer sua misericórdia.
Ele introduz um contraste interessante, pedindo para Deus se lembrar (versos 4 e 45) das pessoas que se esqueceram dele e recusaram ouvir as suas palavras (versos 7,13,21,24 e 25). As ações do povo refletiram seu esquecimento de Deus, enquanto os atos do Senhor demonstraram sua longanimidade imerecida. Desde o Egito, os israelitas foram rebeldes (verso 7), cobiçosos (verso 14), invejosos (verso 16), idólatras (versos 19,20,28,36-39), incrédulos (verso 24), murmuradores (verso 25), sincretistas (versos 34-35) e assassinos (versos 37-38). Apesar de tanto desprezo pelo povo, o Senhor tratou sua nação escolhida com incrível paciência. Ele salvou (versos 8-11), demonstrou seu poder no castigo dos desobedientes (versos 11, 17,18) e nas repetidas libertações do seu povo (versos 43-45).
Entre as suas referências aos eventos históricos dos primeiros séculos da nação de Israel, o salmista cita alguns nomes de personagens conhecidos. Os bons exemplos incluem Moisés e Arão, escolhidos por Deus para guiar o povo (verso 16), e Fineias, o neto de Arão que se mostrou zeloso por Deus em agir decisivamente contra o pecado (versos 30 e 31). Como exemplos negativos, o salmista menciona Datã e Abirão, dois dos líderes da rebelião contra Moisés e Arão registrada em Números 16. Outro exemplo negativo é o próprio Moisés. Apesar de ser, no geral, um servo fiel ao Senhor, Moisés precipitou nas suas palavras e foi castigado por isso (verso 33). Há vários outros exemplos, bons e maus, que citam acontecimentos históricos sem falar os nomes dos envolvidos. O estudo desse Salmo é um bom reforço para todos que procuram entender a história de Israel. Apesar dos muitos pecados dos israelitas, Deus demonstrou compaixão e perdoou as iniquidades do seu povo.
“Aleluia! Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua misericórdia dura para sempre” (verso 1). “Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, de eternidade a eternidade; e todo o povo diga: Amém! Aleluia!” (verso 48).

Salmo 5: SENHOR, Guia-me na Tua Justiça
A maior parte dos Salmos foi escrita durante a vida de Davi, o segundo rei de Israel. Alguns incluem detalhes que os posicionam em momentos específicos da vida desse grande líder. Na maioria dos casos, porém, não temos dados suficientes para identificar o contexto exato. Salmo 5 representa a atitude que caracterizava a vida de Davi, mas alguns aspectos das suas súplicas parecem típicos dos primeiros anos do seu reinado, quando esse homem humilde buscava o favor de Deus para consolidar seu reino. Dá para imaginar Davi chegando dia após dia na presença do Senhor, pedindo que a causa dos justos seja estabelecida, e que os arrogantes e ímpios sejam derrotados.
Davi encaminhou esse Salmo ao mestre de canto para ser utilizado na adoração ao Senhor, e iniciou o hino com seu pedido para o Senhor ouvir suas súplicas (versos 1 a 3). Ele pediu para Deus ouvir suas palavras e até seu gemido, começando com as suas orações matinais. Apesar da sua verdadeira intimidade com Deus, Davi não abordou o Senhor com demandas e exigências. Apresentou suas orações, clamando e implorando diariamente, e esperava as respostas do Senhor.
A mensagem principal do Salmo depende de uma distinção entre os ímpios e os justos, Davi se colocando entre os fiéis. Seus pedidos para Deus aplicar a justiça na separação desses dois grupos de homens se baseia no caráter do Senhor: “Pois tu não és Deus que se agrade com a iniquidade, e contigo não subsiste o mal” (verso 4). Nos versos seguintes, ele passa da separação entre o certo e o errado para a distinção entre os homens que praticam a iniquidade e os justos que servem ao Senhor. Ele afirma a rejeição divina dos arrogantes e praticantes da iniquidade, sejam mentirosos, violentos ou fraudulentos (versos 5 e 6).
Davi não se vê como um desses fraudulentos, como observamos no verso 7: “porém eu, pela riqueza da tua misericórdia, entrarei na tua casa e me prostrarei diante do teu santo templo, no teu temor”. Sua confiança, porém, não indica arrogância ou autojustiça. Ele não entra pela abundância da sua própria bondade ou perfeição espiritual, e sim pela misericórdia de Deus. E Davi não entra para ficar de pé do lado de Deus como se fosse um colega. Ele se prostra em submissão e adoração, entendendo perfeitamente a posição exaltada do seu Criador. É correto e bom sentir a confiança de entrar na presença de Deus, mas essa ousadia não se baseia no nosso mérito. Chegamos a Deus somente pela sua graça (Hebreus 4:14-16).
Enquanto observava a conduta errada dos seus adversários e pedia a justiça divina para com eles, Davi se preocupou com seu caminho: “SENHOR, guia-me na tua justiça, por causa dos meus adversários; endireita diante de mim o teu caminho” (verso 8). Não foi apenas vitória sobre seus inimigos que Davi procurava; ele desejava andar com Deus. Talvez seria melhor dizer que ele entendeu que a única verdadeira vitória se encontra no caminho do Senhor. Vencer homens carnais com atitudes carnais seria, de fato, uma grande derrota. As armas dos servos do Senhor não são carnais (2 Coríntios 10:3-6). Escrevendo 1.000 anos depois de Davi, o apóstolo Pedro citou o exemplo de Jesus para ensinar esse princípio: “pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pedro 2:23).
No final do Salmo, fica evidente que a distinção entre Davi e seus adversários não foi apenas um conflito pessoal, e sim uma diferença nas suas atitudes para com Deus. Os ímpios confiam nos seus próprios planos e se rebelam contra Deus, enquanto aqueles que amam ao Senhor confiam nele e se regozijam no Criador (versos 10 e 11).
A estrutura do Salmo 5 reflete a ênfase de Davi. Os primeiros três e os últimos dois versos não falam dos adversários e tribulações. Davi passou por provações, mas ele começou e terminou a sua jornada com o foco exclusivamente em Deus. Nossa vida deve seguir o mesmo padrão. Quando confiamos em Deus do começo ao fim, as adversidades são apenas momentos passageiros que não nos desviam do caminho.

Salmo 60: Em Deus Faremos Proezas
Nos primeiros anos do seu reinado, Davi procurou estabelecer ordem e segurança num país que sofria, durante séculos, das opressões dos seus vizinhos. Durante mais de 300 anos no período dos Juízes, Israel foi derrotado diversas vezes em batalhas para defender suas fronteiras. Saul, o primeiro rei de Israel, foi mais preocupado com sua posição política do que com a segurança da nação. Em consequência, os filisteus e outros apresentavam ameaças constantes, e o povo de Deus continuava inseguro na terra prometida.
Davi agiu em dois aspectos principais:
A Religião Nacional. Ele trabalhou muito para fortalecer e unificar a religião dos israelitas, conforme planos anunciados por Deus por meio de Moisés 400 anos antes (Deuteronômio 12:11-14). Davi levou a Arca da Aliança para Jerusalém, organizou o culto público e preparou os recursos e a planta para a construção do templo, que seria realizada durante o reinado do seu filho, Salomão (2 Samuel 6 – 7; 1 Crônicas 13 – 17).
A Segurança Nacional. Davi foi um grande guerreiro e líder militar antes de assumir o trono sobre Israel. Durante seu reinado, especialmente nos primeiros anos, ele e seus oficiais conduziram campanhas militares para segurar as fronteiras e tomar controle das regiões definidas por Deus como parte da herança nacional. Entre essas campanhas estava a série de batalhas que servem como pano de fundo para o Salmo 60, quando o comandante Joabe lutou contra os siros e edomitas. Os textos de 2 Samuel 8 e 1 Crônicas 18-19 relatam algumas informações sobre essas conquistas.
Diferente dos Salmos que focalizam a situação particular de Davi (quando fugiu de Saul ou quando se arrependeu dos seus próprios pecados), o tom do Salmo 60 reflete seu cuidado pastoral com o coletivo, o rebanho de Israel. A nação sofria e, agora, estava voltando para Deus e confiando na sua ajuda para vencer seus adversários.
O Salmo foi escrito para uso na adoração pública com intuito de ensinar, como diz o título. Ele se divide em 3 partes principais:
(1) O povo clama a Deus por causa da sua angústia (versos 1-3). Como nação, Israel reconheceu que os castigos que vieram foram manifestações da ira de Deus. Pediram que Deus reparasse a terra depois de feri-la. Embora esses versículos não incluam confissões dos pecados de Israel, também não levantam questionamento sobre a justiça de Deus. A indignação de Deus, sempre perfeitamente justo, é prova da culpa da nação.
(2) Israel se exulta na proteção divina (versos 4-8). A justiça de Deus é afirmada como princípio fundamental no verso 4: “Deste um estandarte aos que te temem, para fugirem de diante do arco”. Deus é fiel e constante. O sofrimento do povo não foi por culpa do Senhor, mas pelas falhas da nação que não procurava refúgio no estandarte de Deus. No hebraico, a palavra Selá aparece depois do verso 4, provavelmente sugerindo uma pausa para refletir sobre a fidelidade de Deus para com aqueles que o temem, antes de continuar com louvor pelos feitos do Senhor. Verso 5 continua a súplica do povo, e versos 6 a 8 apresentam a resposta de Deus. Ele protege e eleva Israel, especialmente estendendo seu cuidado às tribos vulneráveis e desprotegidas da Transjordânia, e humilha os povos pagãos ao seu redor (Moabe, Edom e Filístia).
(3) A nação ora a Deus, pedindo ajuda e demonstrando confiança (versos 9-12). O ponto principal dos últimos versos do Salmo é o entendimento do povo da necessidade de confiar em Deus, e não nos homens. Ele havia rejeitado Israel quando confiavam em homens e falsos deuses. Com o arrependimento do povo e a restauração do favor divino, a nação de Israel seria bem-sucedida nas suas batalhas. “Em Deus faremos proezas” (verso 12) é uma frase que resume bem o sucesso da nação sob a liderança de Davi.
A confiança em Deus começa com a obediência e termina na vitória e proteção divina.

Salmo 108: Sê Exaltado, ó Deus
Davi se destaca entre os servos do Senhor no Antigo Testamento por sua dedicação à adoração. Ele escreveu a maioria dos Salmos contidos nesse livro rico de louvor e, com certeza, incentivou outros autores a compor vários dos demais hinos usados pelos judeus no templo em Jerusalém. Davi foi o instrumento usado por Deus para oferecer segurança à nação na terra que Deus havia dado a Israel 400 anos antes. Apesar das suas grandes proezas como guerreiro, o coração desse líder estava no santuário onde os cânticos de louvor foram entoados para honrar o Criador, e não no campo de batalha.
Davi dominava a música. Na juventude, ele se destacou nas suas habilidades e foi chamado à corte do rei Saul para tocar a harpa. Mas o interesse de Davi na música foi muito além do seu benefício em acalmar as emoções de uma pessoa ansiosa. Ele aprendeu a cantar, tocar instrumentos, compor hinos e organizar as apresentações para a glória do Senhor, o único merecedor da adoração dos homens.
Com esse domínio da música espiritual e pela direção do Espírito Santo (2 Pedro 1:20-21), Davi escreveu muitos salmos completamente originais. Seus salmos consideram a história da nação e olham para o futuro em mensagens proféticas, até sobre a vinda do Messias, ou Cristo.
Alguns dos seus salmos, porém, não apresentam conteúdo novo. Em alguns momentos, Davi reutilizava versos que ele havia publicado anteriormente. Salmo 108 é uma composição que utiliza partes dos Salmos 57 e 60.
Enquanto Salmo 57 vem do contexto da fuga de Davi diante de Saul, Salmo 60 foi escrito vários anos depois e se refere às vitórias de Davi e seus servos nas guerras do início do seu reinado. Não sabemos a ocasião exata da composição do Salmo 108, mas parece provável que seria na mesma época do Salmo 60, pois inclui os comentários sobre os adversários subjugados.
O que um salmo tem a ver com o outro? Qual o vínculo entre um salmo escrito por Davi sobre sua fuga de Saul e outro ocasionado por uma campanha militar? A melhor maneira de responder a essas perguntas é pela leitura dos três Salmos para observar o que Davi usou dos Salmos 57 e 60 para compor o Salmo 108.
Os primeiros cinco versos do Salmo 108 são basicamente iguais aos últimos versos do Salmo 57. Quando estudamos o Salmo 57, observamos que os primeiros versos comunicam a angústia de Davi, cercado por leões (seus perseguidores), e os últimos versos expressam sua confiança no Senhor. Salmo 108 não começa com apelos de uma pessoa perseguida, e sim com a confiança de um líder vitorioso que dá glória a Deus por suas conquistas: “Firme está o meu coração, ó Deus! Cantarei e entoarei louvores de toda a minha alma”.
As experiências de Davi antes de ser coroado serviam para prepará-lo para governar o povo. Ele aprendeu a importância da humilde dependência em Deus, uma atitude bem diferente do narcisismo do seu predecessor, Saul. Deus lhe deu vitórias sobre feras no campo que aumentaram sua confiança para derrubar Golias. Da mesma maneira que achou em Deus o livramento das perseguições de um rei ciumento, Davi confiou em Deus para lhe dar vitórias sobre os inimigos de Israel.
A segunda parte do Salmo 108 traz essa mensagem particular à atenção da nação. A questão não é apenas do livramento de um homem perseguido, e sim da fé do povo no Senhor. Os últimos versos assumem uma voz coletiva quando falam dos “teus amados”, dos “nossos exércitos” e das proezas feitas em Deus contra “os nossos adversários” (versos 6,11,13).
Davi desejava que todos os israelitas mostrassem a mesma confiança em Deus de que ele precisou na caverna quando fugia de Saul. Dos mais escuros recintos do desespero, os apelos dos amados de Deus seriam ouvidos e respondidos. Quando estudamos esse Salmo, 3.000 anos depois do reinado de Davi, aprendemos a confiar no mesmo Deus!

Salmo 15: Quem, SENHOR, Habitará no Teu Tabernáculo?
O trabalho de organizar a cidade de Jerusalém como o centro da religião dos israelitas ocupou uma boa parte do reinado de Davi, e foi realizado com muito prazer por esse servo do Senhor. Salmo 15 é um dos vários hinos que comunicam os sentimentos do rei Davi e de incontáveis outros adoradores. O verdadeiro servo do Senhor anseia estar na presença do Criador. Davi mostrou esse desejo quando falou sobre o tabernáculo do Senhor no monte Sião em Jerusalém, e quando falou sobre o desejo de habitar eternamente com Deus.
Do começo ao fim desse Salmo, o foco está na comunhão permanente com Deus. Diferente das atitudes comuns de pessoas que querem solicitar a ajuda divina em momentos difíceis e ignorar seu Criador durante a maior parte do tempo, o desejo de Davi foi de permanecer na presença de Deus. Ele fala de habitar no tabernáculo e morar no monte do Senhor: “Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?” (verso 1).
Os versos seguintes respondem às perguntas com descrições das qualidades que Deus deseja nas pessoas que andam com ele. Obviamente, quatro versos de um salmo não são suficientes para descrever todos os aspectos da integridade espiritual, mas servem para ensinar o tipo de caráter que devemos cultivar.
“O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade” (verso 2). Davi começa com algumas características positivas, a primeira sendo extremamente abrangente. Ser íntegro significa a condição de uma pessoa completa ou inteira. Em todas as coisas e em todos os aspectos da sua vida, essa pessoa procura fazer o certo. A integridade é o oposto da corrupção. As outras duas expressões desse verso identificam manifestações comuns da integridade. Essa pessoa tem um compromisso firme com a justiça e com a verdade.
A descrição continua com exemplos de condutas que o homem íntegro evita: “o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho” (verso 3). O destaque no controle da língua não nos surpreende, pois é um tema comum nas Escrituras. Desde Gênesis 3, encontramos exemplos das consequências das mentiras. Dois dos Dez Mandamentos dados no monte Sinai tratam especificamente das coisas faladas. Provérbios e outros livros distinguem entre o bom uso e os abusos da língua. No Sermão do Monte, Jesus fez vários comentários sobre as palavras usadas por seus seguidores. Tiago comentou sobre a dificuldade e a importância de controlar a língua: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” (Tiago 3:2).
As atitudes dos servos de Deus se espelham no caráter divino. O homem que mantém comunhão com Deus é aquele que acha prazer nas coisas certas e despreza as coisas erradas: “o que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo, mas honra aos que temem ao SENHOR” (verso 4). É uma coisa obedecer a uma lista de regras, evitando pecados óbvios como homicídio, blasfêmia, adultério e roubo, mas Deus exige muito mais do que apenas a conformidade externa em requisitos como esses. Nossas opiniões devem ser moldadas pela vontade de Deus. Além de não matar, devemos detestar a violência contra outros e o ódio que leva a tal procedimento desprezível. Por outro lado, o servo do Senhor valoriza e honra outras pessoas que demonstram a mesma disposição de honrar a Deus.
Para permanecer na casa do Senhor, é necessário ser honesto nos negócios: “o que jura com dano próprio e não se retrata; o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente” (versos 4 e 5). A palavra da pessoa que teme a Deus é confiável. Mesmo se perceber, depois de assumir um compromisso, que será prejudicada, ela cumpre a sua palavra. Nos seus negócios, ela é governada pelos princípios revelados por Deus, e assim não age com injustiça ou desonestidade.
Resumindo todos esses aspectos da integridade do servo de Deus, Davi conclui o Salmo com esta promessa: “Quem deste modo procede não será jamais abalado” (verso 5).

Salmo 24: Quem É Esse Rei da Glória?
A partir do reinado de Davi, que governou sobre os hebreus cerca de 1.000 anos antes da vinda de Jesus, Jerusalém se tornou a cidade mais importante para o povo de Israel. Com a chegada da Arca da Aliança, o móvel mais importante na religião judaica, Davi se empenhou na organização dos cultos e nas preparações para a construção do templo, que seria realizada durante o reinado do seu filho Salomão.
É provável que o Salmo 24 tenha sido escrito na ocasião da chegada da Arca, que havia sido negligenciada durante décadas antes do reinado de Davi. Ele animou o povo para buscar a Arca, que representou simbolicamente o trono de Deus. Levaram esse móvel tão importante para Jerusalém em uma grande procissão de comemoração festiva. Davi participou dessa procissão, mas não vestido como rei. Ele usou uma roupa de linho do tipo usado pelos sacerdotes e entrou junto com as pessoas comuns. O foco não estava em Davi, e sim em outro rei. O Rei da Glória que chegou em Jerusalém foi o próprio Senhor!
“Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. Fundou-a ele sobre os mares e sobre as correntes a estabeleceu” (versos 1 e 2). O Salmo começa em um exaltado tom de adoração do Deus do universo. Os filisteus que haviam tomado a Arca da Aliança acreditavam em deuses locais e limitados. Duzentos anos depois de Davi, o profeta Jonas, um israelita, achou que poderia fugir do domínio de Deus. Na época dos judeus, era bem difundido o pensamento de que Deus se preocupava somente com os judeus. A linguagem de Davi, porém, reflete a compreensão da soberania de Deus. Ele não é um entre vários deuses, mas o único Deus que reina sobre o mundo inteiro. O segundo verso apresenta o argumento fundamental para essa doutrina bíblica do reino universal de Deus. Ele criou o mundo, então ele exerce autoridade total sobre toda a sua criação.
Uma vez que o homem reconheça a existência do seu Criador, ele deve buscar conhecimento de Deus e da sua vontade. Mas, será que há condições para ter comunhão com um Ser tão poderoso? Davi levanta essa pergunta (que é muito parecida com a interrogação que inicia o Salmo 15) no verso 3: “Quem subirá ao monte do SENHOR? Quem há de permanecer no seu santo lugar?”
A resposta, que frisa alguns aspectos da integridade espiritual que Deus deseja das suas criaturas, encontra-se no verso 4: “O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente”. Deus quer mãos limpas, não envolvidas em práticas pecaminosas, mas a espiritualidade que ele deseja vai muito além dos atos visíveis. Ele não quer apenas as mãos, mas um coração puro e uma alma honesta! Esses versos nos lembram dos princípios ensinados por Jesus no Sermão do Monte, no qual ele ensinou a importância de controlar os pensamentos e as atitudes, e não somente os atos. Da mesma forma que Salmo 15 enfatiza a necessidade de controlar a língua, esse também fala de evitar juramentos enganosos.
O benefício para aquele que respeita os princípios morais e éticos revelados por Deus é grande, pois ele obtém o favor do Senhor (verso 5). O domínio de Deus é universal e ele oferece sua comunhão para todos, mas não devemos imaginar que esse privilégio seja dado a todos. O prêmio de estar com Deus é exclusivamente para aqueles que buscam sua presença (verso 6). Aqueles que buscam com diligência recebem o dom gratuito oferecido pelo Senhor.
No final do Salmo, Davi bane qualquer noção da sua própria importância e dirige toda a honra a Deus. Abram os portões, pois o Senhor, o Rei da Glória, deve ser recebido e bem-vindo no meio do seu povo! Ele é o forte e poderoso Senhor dos Exércitos que entra pelos portais eternos para governar para sempre. Duas vezes o salmista pergunta: “Quem é o Rei da Glória?”. Não há dúvida. Apesar de serem reis abençoados e prósperos, nem Davi nem seu filho Salomão tinha direito ao título “Rei da Glória”. O Rei da Glória era e sempre será o poderoso Senhor que criou o mundo.
No ensinamento do Novo Testamento, cada pessoa que se converte ao Senhor é o templo onde Deus habita. Devemos manter os portões do nosso coração sempre abertos para receber o único que tem direito de governar em nossas vidas.

Salmo 95: Vinde, Adoremos e Prostremo-nos
Davi sentiu imenso prazer em adorar ao Senhor, e se dedicou ao trabalho de incentivar, organizar e conduzir o culto a Deus em Israel. Salmo 95 é uma chamada à adoração com um contraste interessante. Ou abrimos os corações para dar ao Criador sua devida honra, ou endurecemos os corações e viramos as costas para ele.
Salmo 95 não inclui título, mas o autor do livro de Hebreus o atribui a Davi (Hebreus 4:7). Não sabemos em que momento Davi compôs este Salmo, pois a mensagem nele apresentada é típica de Salmos de todos os períodos do seu reinado. Vamos ler e refletir sobre sua mensagem:
“Vinde, cantemos ao SENHOR, com júbilo, celebremos o Rochedo da nossa salvação. Saiamos ao seu encontro com ações de graças, vitoriemo-lo com salmos. Porque o SENHOR é o Deus supremo e o grande Rei acima de todos os deuses” (versos 1 a 3). A adoração a Deus é ativa e proposital. Davi chama os adoradores a saírem e se unirem a outros para oferecer louvores. No contexto do Novo Testamento, se torna especialmente claro que podemos adorar a Deus em qualquer lugar e momento, uma vez que esse serviço seja feito “em espírito e em verdade” (João 4:24), ou seja, com sinceridade e conforme as orientações que Deus nos dá nas Escrituras. Em Israel na época de Davi, porém, alguns atos de adoração foram oferecidos a Deus exclusivamente no local que o Senhor determinou como centro nacional da sua religião. Adoração no tabernáculo temporário, na época de Davi, ou no templo permanente edificado por seu filho nas gerações posteriores, fazia parte do serviço que Deus pedia do seu povo. Para participar no culto nacional, os israelitas saíam das suas casas e viajavam, às vezes grandes distâncias, para se reunirem em Jerusalém. O serviço a Deus não foi visto por esses adoradores, e não deve ser visto hoje, como algo passivo, feito com pouco ou nenhum esforço. O conceito de culto ou adoração nas Escrituras é inseparável da noção de serviço. Quando Jesus falou de adorar e dar culto a Deus (Mateus 4:10), ele usou palavras traduzidas no texto do Antigo Testamento como temer e servir (Deuteronômio 6:13). Para o sincero adorador, esse serviço não é uma tarefa desagradável ou árdua. Os hinos de louvor, mesmo sendo sacrifícios (Hebreus 13:15), são oferecidos com júbilo, pois são cantados para honrar “o Rochedo da nossa salvação” que nos proporciona a segurança nas tempestades dessa vida. Ele é o único verdadeiro Deus.
“Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes lhe pertencem. Dele é o mar, pois ele o fez; obra de suas mãos, os continentes” (versos 4 e 5). A capacidade de Deus de nos salvar é consequência natural da sua posição como Criador. Ele exerce poder sobre a sua criação, e assim pode livrar seu povo de qualquer ameaça.
“Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR, que nos criou. Ele é o nosso Deus, e nós, povo do seu pasto e ovelhas de sua mão” (versos 6 e 7). Ao papel de Criador, o salmista acrescenta outro motivo de adoração, tema comum no Antigo e Novo Testamentos: Deus é o Pastor que cuida do seu rebanho (compare Salmo 23; João 10:11; 1 Pedro 5:4).
Esses apelos à adoração são apresentados em contraste com a possibilidade de se afastar de Deus. O restante do Salmo é citado no Novo Testamento para avisar os cristãos sobre a possibilidade de abandonar sua fé e perder seu acesso à terra prometida celestial (Hebreus 3:7 – 4:16).
“Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração, como em Meribá, como no dia de Massá, no deserto, quando vossos pais me tentaram, pondo-me a prova, não obstante terem visto as minhas obras. Durante quarenta anos, estive desgostado com essa geração e disse: é povo de coração transviado, não conhece os meus caminhos. Por isso, jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso” (versos 7 a 11). Deus faz seu apelo para o povo continuar servindo a ele, não imitando o mau exemplo dos seus antepassados que se desviaram no deserto entre o Egito e a terra prometida. Esse período de peregrinação é comparado, no Novo Testamento, à vida do cristão que, depois da sua conversão, enfrenta as tentações no caminho para o descanso celestial.
Devemos expressar gratidão ao nosso Criador, Redentor e Pastor na adoração contínua, evitando os pecados que levaram milhares de israelitas à morte no deserto. “Vinde, cantemos ao SENHOR, com júbilo”.

Salmo 97: Justiça a Juízo São a Base do Seu Trono
Como muitos outros, Salmo 97 não inclui nenhum título para identificar seu autor ou a circunstância em que foi composto. Charles Spurgeon, um dos mais respeitados comentaristas sobre os Salmos, apresentou motivos interessantes para tratar como uma série os Salmos 95 a 100. Ele viu nesses Salmos mensagens messiânicas que frisam várias características do domínio de Cristo, e encontrou apoio em citações no Novo Testamento, especialmente no livro de Hebreus. Como o caráter de Deus é imutável (Malaquias 3:6; Hebreus 13:8), as descrições das suas características se aplicam igualmente no louvor de Israel no Antigo Testamento e na adoração dada hoje, sob a Nova Aliança, na igreja do Senhor.
Observamos que Salmo 96 foi um dos hinos usados na inauguração do culto de Israel em Jerusalém, no reinado de Davi. É possível que os outros que foram incluídos juntos no arranjo do livro (especialmente os citados de 95 a 100) tenham sido entregues ao mesmo tempo aos levitas que conduziam o louvor público. Sem dúvida, são Salmos dignos do nosso estudo e meditação, pois levantam nossos pensamentos e exaltam o único verdadeiro Deus, o Criador do universo. Com esse propósito, refletimos sobre as palavras do Salmo 97.
“Reina o SENHOR. Regozije-se a terra, alegrem-se as muitas ilhas. Nuvens e escuridão o rodeiam, justiça e juízo são a base do seu trono” (versos 1 e 2). Quando consideramos as obras dos homens, sejam conflitos armados, tumultos políticos ou abusos sociais e ambientais, percebemos graves falhas na sua administração das coisas desse mundo. Deus deu para os homens a autoridade de usar os recursos naturais e de governar para manter ordem entre pessoas, mas ele nunca abandonou seu trono! Esse Salmo frisa a justiça de Deus, nos lembrando que, no final das contas, o Criador ainda domina e julgará com perfeita justiça. Aquele que está entronizado acima das nuvens trará a justiça, pois sua natureza é justa.
“Adiante dele vai um fogo que lhe consome os inimigos em redor. Os seus relâmpagos alumiam o mundo; a terra os vê e estremece. Derretem-se como cera os montes, na presença do SENHOR, na presença do Senhor de toda a terra” (versos 3 a 5). Quando Deus age para punir seus inimigos, seu poder se mostra maior do que qualquer força da natureza. Sua justiça é comparada a fogo, relâmpagos e terremotos que derretem as montanhas! Imagine a situação precária do homem que se põe em oposição ao seu Criador!
“Os céus anunciam a sua justiça, e todos os povos vêem a sua glória” (verso 6). Introduzindo o conceito do domínio universal do Deus de Israel, o salmista descreve seu juízo nesses termos. Não há lugar fora do alcance da justiça divina. Aquele que criou os céus e a terra julga de um extremo do universo a outro. Ele não exerce autoridade apenas sobre os israelitas, e sim sobre todos os povos.
“Sejam confundidos todos os que servem a imagens de escultura, os que se gloriam de ídolos; prostrem-se diante dele todos os deuses. Sião ouve e se alegra, as filhas de Judá se regozijam, por causa da tua justiça, ó SENHOR. Pois tu, SENHOR, és o Altíssimo sobre toda a terra; tu és sobremodo elevado acima de todos os deuses” (versos 7 a 9). A implicação natural da doutrina bíblica monoteísta é a condenação de todas as formas de idolatria. Os adoradores de deuses esculpidos pelas mãos do homem estão perdendo tempo e, pior, afrontando o verdadeiro Deus que os criou. O Deus de Israel não é um entre vários, mas o único. Ele exige a devoção exclusiva das suas criaturas. Os adoradores verdadeiros em Sião (sede da religião dos judeus em Jerusalém) rejeitam os falsos deuses e honram o Altíssimo.
“Vós que amais o SENHOR, detestai o mal; ele guarda a alma dos seus santos, livra-os da mão dos ímpios. A luz difunde-se para o justo, e a alegria, para os retos de coração. Alegrai-vos no SENHOR, ó justos, e dai louvores ao seu santo nome” (versos 10 a 12). Em contraste com o juízo que desce das escuras nuvens em relâmpagos e terremotos, a luz do Senhor brilha sobre os justos, dando-lhes motivo de celebrar sua alegria nos louvores dirigidos a Deus.
Para Israel e todos os outros povos do mundo, Deus está entronizado sobre a base de justiça e juízo. Ele merece a reverência e adoração de todas as suas criaturas.

Salmo 98: O SENHOR Fez Notória a Sua Salvação
Salmo 98 complementa perfeitamente o hino anterior, que frisou a justiça de Deus em relação a todos os povos. A justiça, que é possível somente quando há distinção entre certo e errado, sempre tem dois lados. Deus, na sua perfeita justiça, condena aqueles que recusam reconhecer sua soberania e salva aqueles que procuram refúgio na sua misericórdia. Salmo 97 trata do domínio universal do Senhor e o julgamento dos povos que adoram ídolos e negam o único verdadeiro Deus (veja o último artigo dessa série). Salmo 98 reforça esse entendimento da autoridade absoluta de Deus, mas frisa principalmente a salvação do povo que ele resgatou, a casa de Israel.
“Cantai ao SENHOR um cântico novo, porque ele tem feito maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a vitória. O SENHOR fez notória a sua salvação; manifestou a sua justiça perante os olhos das nações. Lembrou-se da sua misericórdia e da sua fidelidade para com a casa de Israel; todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus” (versos 1-3). Como já observamos no estudo de Salmo 96, o tema do cântico novo nas Escrituras é, frequentemente, ligado à mensagem da salvação em Cristo. Neste caso, o verso seguinte fala da salvação que o Senhor oferece, com certeza a maior das maravilhas realizadas por Deus. Não há vitória maior do que a libertação dos pecadores das suas transgressões e suas consequências fatais. Essas palavras podem ser entendidas tanto no sentido histórico como no sentido profético. Quando Deus salvou a nação de Israel da escravidão no Egito, as outras nações viram e tremeram. E, começando 1.000 anos depois de Davi, a obra maior da salvação em Jesus foi demonstrada para o mundo inteiro. Jesus mesmo mandou os apóstolos ao mundo para pregar a doutrina da salvação: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Marcos 16:15-16).
“Celebrai com júbilo ao SENHOR, todos os confins da terra; aclamai, regozijai-vos e cantai louvores. Cantai com harpa louvores ao SENHOR, com harpa e voz de canto; com trombetas e ao som de buzinas, exultai perante o SENHOR, que é rei” (versos 4-6). Em contraste com a linguagem de destruição e castigo do Salmo 97, que usou imagens de fogo, relâmpagos, terremotos e vulcões, a ênfase aqui está na alegria dos adoradores ao ver a graça salvadora do Senhor. Os sons do estrondo do juízo divino descem do céu no Salmo 97, e os sons da adoração dos redimidos sobem da terra no Salmo 98. Esses versos representam bem a adoração elaborada em Jerusalém, com seus móveis dourados e diversos instrumentos musicais para acompanhar as vozes dos adoradores. Deus, o rei, é o exclusivo merecedor desse louvor.
“Ruja o mar e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam. Os rios batam palmas, e juntos cantem de júbilo os montes, na presença do SENHOR, porque ele vem julga a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com equidade” (versos 7-9). Começando com os adoradores humanos de Israel em Jerusalém, os sons de louvor se espalham: o mar, a terra, os montes e os rios acrescentam suas vozes à orquestra de adoração. Outro Salmo inicia com as palavras: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Salmo 19:1). Toda a criação de Deus, de uma maneira ou outra, serve para engrandecer seu Criador. A glória de Deus é evidente em todos os aspectos da sua maravilhosa obra da criação. Nesses versos do Salmo, porém, o autor identifica um motivo específico que leva a criação a adorar o Senhor: seu justo julgamento do mundo. Enquanto nós normalmente pensamos no julgamento divino em termos humanos, a salvação daqueles que se convertem ao Senhor e a condenação dos rebeldes, algumas passagens bíblicas tratam dos efeitos do pecado na natureza. Deus amaldiçoou a terra por causa do pecado de Adão (Gênesis 3:17-19). Ao longo da história, calamidades naturais têm sido empregadas por Deus como avisos e castigos aos homens pecadores. “Porque assim diz o SENHOR Deus: Quanto mais, se eu enviar os meus quatro maus juízos, a espada, a fome, as bestas-feras e a peste, contra Jerusalém, para eliminar dela homens e animais” (Ezequiel 14:21; compare as pragas citadas nos livros de Êxodo e Apocalipse). Paulo fala do efeito da justiça divina em livrar a criação: “…na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Romanos 8:21-22).
Mas a ênfase bíblica não está na redenção da criação material, pois Deus dá muito mais valor aos seres humanos criados à sua imagem. O mundo que Deus amou e mandou seu Filho para salvar são as pessoas que têm a oportunidade de crer para receber a vida eterna (João 3:16).

Salmo 99: O SENHOR é Grande em Sião
A Arca da Aliança chegou a Jerusalém! O povo de Israel foi convocado a adorar ao Senhor na Cidade de Davi. Mas o rei digno da honra da nação, aliás, de todas as nações, não é Davi, e sim Deus, que está entronizado acima dos querubins. Enquanto o Salmo 99 inclui algumas referências históricas, o foco, do primeiro ao último verso, está claramente na exaltação de Deus. O Salmo se divide em três partes, cada uma terminando com um apelo aos leitores a adorarem ao Senhor (versos 3,5,9).
“Reina o SENHOR; tremam os povos. Ele está entronizado acima dos querubins; abale-se a terra. O SENHOR é grande em Sião e sobremodo elevado acima de todos os povos” (versos 1 e 2). Os primeiros dois versos apresentam o tema do Salmo com frases que seguem uma estrutura conhecida como paralelismo invertido. O início do verso 1 e o final do verso 2 falam do domínio de Deus sobre os povos, enquanto o final do verso 1 e o começo do 2 falam da sua posição em relação a Jerusalém (acima dos querubins da Arca da Aliança que permanecia no monte Sião em Jerusalém). Os querubins, mencionados poucas vezes na Bíblia, estão posicionados entre as mais elevadas das criaturas espirituais, sempre servindo ao Senhor próximos ao seu trono.
“Celebrem eles o teu nome grande e tremendo, porque é santo” (verso 3). Com o trono de Deus em Jerusalém no cerne dos versos de abertura, o salmista chama todos os povos a celebrarem o nome do Senhor. O atributo divino citado para motivar a adoração das nações é o mesmo citado frequentemente ao longo das Escrituras. O nome de Deus deve ser honrado acima de todos os nomes porque ele é santo, distinto, separado e superior a todas as suas criaturas. A doutrina da santidade do incomparável Deus é fundamental ao nosso entendimento da nossa posição diante dele. Como o onipotente e puro Criador, ele é o único digno da adoração dos seres humanos. Deixar de adorar o Criador e elevar suas criaturas é o erro mais grave imaginável, e que abre a porta para todos os tipos de transgressões em desobediência ao Senhor (Romanos 1:24-25).
“És rei poderoso que ama a justiça; tu firmas a equidade, executas o juízo e a justiça em Jacó” (verso 4). O Deus santo ama a justiça e aplica seu poder na pratica do juízo. Jacó foi o outro nome de Israel, pai da nação assim conhecida, e representa aqui o povo escolhido que habitava na terra de Canaã. Na teocracia de Israel, o povo confiava nos seus líderes para aplicar a justiça divina com equidade, mas a garantia da verdadeira justiça se encontrava no caráter do próprio Senhor.
“Exaltai ao SENHOR, nosso Deus, e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés, porque ele é santo” (verso 5). Essa é a segunda de três chamadas no Salmo 99 para adorar ao Senhor (veja versos 3 e 9). Todos esses apelos apresentam o mesmo motivo: a santidade de Deus. Nesse verso, o lugar de adoração é diante do escabelo (estrado ou banca de apoio para os pés do Senhor). Essa imagem complementa a descrição do verso 1, onde vemos Deus no seu trono servido por querubins.
“Moisés e Arão, entre os seus sacerdotes, e, Samuel, entre os que lhe invocam o nome, clamavam ao SENHOR, e ele os ouvia. Falava-lhes na coluna de nuvem; eles guardavam os seus mandamentos e a lei que lhes tinha dado. Tu lhes respondeste, ó SENHOR, nosso Deus; foste para eles Deus perdoador, ainda que tomando vingança dos seus feitos” (versos 6-8). Essa terceira parte do Salmo reforça a mensagem central da santidade do poderoso Deus, mostrando tanto a sua justiça em trazer vingança como sua misericórdia demonstrada para e por meio dos servos fiéis. Ele cita exemplos de grandes líderes dos períodos antes de existirem reis em Israel: Moisés, Arão e Samuel, homens que comunicavam a lei de Deus e intercediam a favor do povo de Israel.
“Exaltai ao SENHOR, nosso Deus, e prostrai-vos ante o seu santo monte, porque santo é o SENHOR, nosso Deus” (verso 9). Comparando esse verso com o apelo paralelo no verso 5, percebemos que uma montanha serve como banco de apoio para os pés de Deus, uma maneira de frisar sua sublimidade e dignidade de ser louvado por todas as suas criaturas.
Quando olhamos para a grandeza de Deus e as obras da sua justiça, percebemos cada vez mais os motivos para honrá-lo.

Salmo 100: Servi ao SENHOR com Alegria
Mesmo sem detalhes que identificam o autor ou o momento exato da composição do Salmo 100, é fácil imaginar esse hino sendo cantado com ânimo e alegria no início de uma reunião em Jerusalém, convocando os participantes a adorarem ao Senhor. Entendendo que a adoração a Deus nos dias de hoje pode ser realizada em qualquer lugar, uma vez que seja feita em espírito e em verdade (João 4:23-24), esse hino ainda nos chama a honrar o Criador e Redentor com cânticos de louvor.
“Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras” (verso 1). Salmo 100 convida todos a louvar o Senhor com sua mensagem geral e universal. Suas palavras incluem referências a Israel (“seu povo e rebanho” – verso 3) e ao santuário nacional em Jerusalém (as portas e átrios do verso 4), mas seu convite não se limita aos hebreus. Deus deu um tratamento especial para os judeus durante um período de 1.500 anos, mas nunca esqueceu dos outros povos, pois ele é o Criador de todos. Foi provavelmente 1.000 anos depois da composição desse Salmo que Paulo pregou a uma audiência de outras nações e disse sobre Deus: “pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez toda a raça humana…para buscarem a Deus” (Atos 17:25-27). Mesmo quando Deus deu certos privilégios para os descendentes de Abraão, nunca excluiu da sua graça as outras nações. Qualquer dúvida sobre esse fato foi tirada com a introdução do evangelho de Jesus Cristo, que oferece a todos o acesso a Deus por meio do seu Filho (João 3:16). Paulo incentivou o evangelista Timóteo dizendo que Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2:4).
“Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico” (verso 2). O privilégio de cantar louvores ao Senhor traz alegria ao coração do verdadeiro adorador. Davi e outros salmistas convidaram os israelitas e as outras nações a levantar suas vozes para honrar seu Criador. Cânticos fazem parte da adoração que o Senhor deseja sob a Nova Aliança (Efésios 5:19; Colossenses 3:16; Hebreus 13:15) e continuam sendo uma maneira de expressar a alegria diante de Deus (Tiago 5:13). Até os anjos e outras criaturas celestiais cantam louvores ao Criador e Redentor (Apocalipse 4:8-11; 5:8-14; Lucas 2:13-14).
“Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio” (verso 3). Usando dois nomes para identificar Deus, o salmista deixa bem clara a sua crença monoteísta. A palavra traduzida Deus é usada, às vezes, em um sentido mais abrangente para identificar supostos deuses ou até criaturas celestiais. Mas dizer que o SENHOR (de uma palavra conhecida como a Tetragrama, usada exclusivamente do Deus da Bíblia) é Deus é uma afirmação que o Deus adorado pelos israelitas em Jerusalém é o único verdadeiro Deus, a mensagem monoteísta que encontramos ao longo da Bíblia. O versículo apresenta, também, os dois principais motivos de adorar a Deus: ele é o Criador (foi ele quem nos fez) e Redentor (somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio). Compare Apocalipse 4:11; 5:9-13).
“Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei -lhe graças e bendizei-lhe o nome” (verso 4). As expressões aqui são paralelas, sugerindo a chegada dos adoradores ao santuário de Deus com cânticos de gratidão e louvor. Não podemos separar esses dois elementos da adoração. Louvamos o nome do Senhor com gratidão por tudo que ele tem feito por nós.
“Porque o SENHOR é bom, a sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a sua fidelidade” (verso 5). Faz perfeito sentido encerrar esse Salmo com palavras de adoração. Os primeiros quatro versos chamaram os adoradores a agirem, empregando uma série de verbos: Celebrai, Servi, Apresentai-vos, Sabei, Entrai, Rendei-lhe, Bendizei-lhe. O último verso do Salmo começa com a palavra “porque” e cita motivos para adorar: “O SENHOR é bom” (não apenas faz bem, mas é, por definição do seu caráter, bom); “a sua misericórdia dura para sempre” (a graça do Senhor é eterna); “de geração em geração, a sua fidelidade” (Deus é fiel, em todos os momentos e para todos os tempos). Deus merece louvor por causa dos atributos do seu caráter, a bondade, a misericórdia e a fidelidade.
O Deus adorado no santuário em Jerusalém 3.000 anos atrás é o mesmo Criador e Redentor que merece o nosso louvor e expressões de gratidão todos os dias.

Por: Dennis Allan